Geografias do Fragmento

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Geografias do Fragmento: Explorando a fragmentação visual na obra de Hannah Höch

LOURENÇO, Ysadora Lucas. Geografias do Fragmento: Explorando a fragmentação visual na obra de Hannah Höch. In: Aguarrás, vol. 12, n. 39. ISSN 1980-7767. São Paulo: Uva Limão, JUL/DEZ 2025. Disponível em: <https://aguarras.com.br/geografias-do-fragmento/>. Acesso em: [current_date format=d/m/Y].

 

RESUMO

Essa pesquisa busca apresentar uma reflexão sobre a interconectividade como princípios estruturais e estéticos, destacando a relevância da imagem na construção de identidades e narrativas sociais. Para isso, utiliza um trabalho cartográfico referencial. A partir de teóricos como Cecilia Salles, Fayga Ostrower e John Berger, este artigo discute como a fragmentação de imagem transformou a arte ao permitir a criação de obras a partir de imagens pré-existentes abrindo caminho para novas formas de expressão, como a colagem e a fotomontagem. Nesse contexto, destaca-se a artista alemã Hannah Höch, cuja abordagem subversiva descontrói normas sociais e questiona o papel das mulheres na sociedade, especialmente no contexto do movimento dadaísta. Com o suporte teórico da historiadora Michelle Perrot, enfatiza-se a importância de resgatar o protagonismo feminino na história da arte, evidenciando como a obra de Höch, muitas vezes marginalizada, oferece uma perspectiva crítica e autoral sobre gênero e dominação. Ao explorar como a prática de colagem dialoga com a superabundância de imagens, a pesquisa propõe, com apoio de autores como Arthur Danto e Luciana Aszman, uma compreensão de como a criação artística, inspirada na obra de Höch, pode desafiar normas sociais e promover novas narrativas visuais e inclusivas.

Palavras-chave: Hannah Höch; Dadaísmo; Fotomontagem; Gênero; Arte política.

 

ABSTRACT

This research aims to present a reflection on interconnectedness as a structural and aesthetic principle, highlighting the relevance of images in the construction of identities and social narratives. To this end, it employs a referential cartographic approach. Drawing from theorists such as Cecilia Salles, Fayga Ostrower, and John Berger, this article discusses how image fragmentation transformed art by enabling the creation of works from pre-existing images, paving the way for new forms of expression, such as collage and photomontage. In this context, the work of German artist Hannah Höch stands out, whose subversive approach deconstructs social norms and questions the role of women in society, especially within the framework of the Dadaist movement. Supported by the theoretical contributions of historian Michelle Perrot, the importance of reclaiming female protagonism in art history is emphasized, showcasing how Höch’s work, often marginalized, provides a critical and original perspective on gender and domination. By exploring how the practice of collage engages with the contemporary overabundance of images, the research, drawing on authors like Arthur Danto and Luciana Aszman, proposes an understanding of how artistic creation, inspired by Höch’s work, can challenge social norms and promote new, inclusive visual narratives.

Keywords: Hannah Höch; Dadaism; Photomontage; Gender; Political Art.

 

 

INTRODUÇÃO

Propõe-se destacar, no presente artigo, o papel da cartografia como ferramenta de mapeamento de narrativas verbais e visuais, conectando arte, gênero e fragmentação de imagens. Esta, é uma pesquisa inicial sobre a vida e obra da artista alemã Hannah Höch (1889 – 1978), figura central do movimento dadaísta e pioneira na técnica da fotomontagem, que utiliza a fragmentação de imagens para questionar normas sociais, políticas e de gênero.

Inserida em um contexto marcado pela opressão patriarcal e pelas turbulências do período entre guerras na Alemanha, Höch desafiou estereótipos femininos, problematizando a representação da mulher na sociedade. Sua obra não apenas denunciou desigualdades, mas também inaugurou uma linguagem visual crítica, ao combinar elementos da cultura de massa (como recortes de revistas e fotografias) em composições que subvertiam as ordens sociais (ADRIANI, et al. 1995). Sua prática evidenciava a complexidade da identidade feminina e se posicionava contra o sistema de dominação masculina.

Ali [no ateliê de Hannah Höch], empilhava-se o material que servia principalmente a <colagista> de fotomontadora: papéis brancos e pretos, papéis de cor de várias espessuras e dimensões, recortes díspares de revistas, catálogos e prospectos, caixas de cartão cheias de jornais, velhas caixas de charutos com achados ao lado de frascos de cola, lupas, pesos, molhos de pincéis, lápis de cores e réguas. (ADRIANI, et al. 1995, p.85).

 

A obra e a trajetória de Höch servem de inspiração para a produção autoral da pesquisadora, que utiliza a colagem analógica como técnica e temática para analisar a ocupação urbana sob a perspectiva feminina. A pesquisadora aborda questões essenciais como direitos sociais, medo, sobrecarga de trabalho, rotinas exaustivas, desrespeito, prazer e opressão. Seu objetivo é revelar, por meio da arte, a visão feminina sobre os direitos sociais e a maneira como as mulheres se inserem nos centros urbanos, considerando os tabus e desafios presentes em uma sociedade patriarcal e machista. Utilizando a linguagem da colagem, a pesquisadora explora diferentes materiais e texturas em séries temáticas e experimentações, ampliando as possibilidades expressivas dessa prática, podemos ver como exemplo, a colagem abaixo.

Figura 1: Deserto, 2021 – Ysadora Lourenço. Fonte: Acervo pessoal.
Figura 1: Deserto, 2021 – Ysadora Lourenço. Fonte: Acervo pessoal.

Tanto a colagem quanto a fotomontagem e a fragmentação de imagens são técnicas que operam por meio da desconstrução e recomposição de elementos visuais, criando poéticas. Essas linguagens surgiram no contexto das vanguardas europeias no início do século XX, especialmente no movimento dadaísta (ELGER, 2010), e romperam com as convenções artísticas tradicionais ao incorporar fragmentos da cultura de massa, como revistas e jornais.

Ao desafiar a autenticidade da arte e romper com a noção de obra única, essas técnicas enfatizam a reprodutibilidade técnica e a apropriação de elementos preexistentes. A fragmentação, além de ser um recurso estético, tem um caráter político, permitindo que novos significados surjam a partir da composição de partes aparentemente desconexas.

A poética visual, entendida como a construção e desconstrução de imagens, envolve a criação de significados pela combinação consciente de elementos visuais, buscando não apenas a representação, mas também a expressão subjetiva e simbólica. Essa prática transcende a simples reprodução da realidade ao explorar relações entre formas, cores, texturas e composições, revelando múltiplas camadas de interpretação que dialogam com contextos culturais, sociais e individuais. Nesse processo criativo, o conceito de construção e destruição aparece como parte essencial da prática poética, conforme destaca Salles:

Por necessidade, o artista é impelido a agir. Uma ação com tendência, certamente, complexa que se concretiza por meio de uma operação poética registrada nos documentos do processo. Uma atividade ampla que se caracteriza por uma sequência de gestos, que geram transformações múltiplas na busca pela formatação da matéria de uma determinada maneira, e com um determinado significado. (…) Gestos construtores que, para sua eficácia, são, paradoxalmente, aliados a gestos destruidores: constrói-se à custa de destruições. (SALLES, 1998, p.85).

 

Ao longo do artigo, abordaremos como a produção artística de Hannah Höch se alinha a essa lógica de construção e destruição, explorando o potencial crítico da colagem como forma de subverter normas e promover novas narrativas visuais e sociais a partir de uma análise cartográfica de referências.

Através de livros, artigos e obras de arte, o mapeamento da pesquisa oferecerá um caminho de estudo sobre a fragmentação de imagens na obra de Höch e suas influências na construção de poéticas visuais, dividido por subtemas de pesquisa: Hannah Höch e o movimento dadaísta; processo criativo e poética visual; gênero e mulheres na arte e na história cultural; colagem, fotomontagem, fragmentação e agrupamento de imagens e por fim, artistas mulheres que trabalham com a mesma técnica de fragmentação.  Foi realizado um mapeamento virtual dos temas acima, que pode ser acessado pelo link <https://padlet.com/ysadorallourenco/geografias-do-fragmento-explorando-a-fragmenta-o-visual-na-o-hb3qtfsk0p4czce9>.

 

HANNAH HÖCH E O MOVIMENTO DADAÍSTA

Este artigo conecta a produção artística de Hannah Höch a debates sobre identidade e resistência cultural, evidenciando a colagem como expressão estética e ato político. Além disso, ao destacar a ausência de Höch em narrativas tradicionais da arte, como acontece no livro Giulio Carlo Argan (1992), busca-se reavaliar a relevância de artistas mulheres, propondo novas perspectivas para a construção de narrativas visuais críticas e contemporâneas.

Em “Hannah Höch 1889–1978” (1995), é estruturada uma linha do tempo de eventos cruciais que contextualizam sua produção artística e pessoal. A obra reúne ensaios de diferentes autores que exploram a poética e a complexidade de Höch sob variadas perspectivas, como o simbolismo de sua imagética, sua abordagem feminista crítica e a poesia presente em suas fotomontagens. Ademais, inclui reproduções detalhadas de suas obras, com nomes e datas precisas, facilitando a compreensão do impacto de sua arte.

Poder-se-ia fazer uma interpretação amplamente feminista, baseada nas complexas vivências pessoais do seu tempo Dada, a partir de uma série de obras suas. (…) São precisamente as citações diferenciadas nas fotomontagens, que esclarecem como H.H. estava muito consciente do caráter de fachada dos chamados “anos vinte dourados” em Berlim, a sua atitude artística, em relação aos problemas feministas, atesta a sua visão da catástrofe ameaçadora dos anos trinta. (ADRIANI et al. 1995, p.80)

Figura 2: Mutter, 1930 – Hannah Höch. Fonte: Pinterest
Figura 2: Mutter, 1930 – Hannah Höch. Fonte: Pinterest[1]
Fazendo uma leitura da obra acima, podemos evidenciar alguns aspectos recorrentes na obra da artista, como a criação de poéticas visuais a partir da fragmentação de imagens e a representação da figura feminina. Nesta fotomontagem, é possível notar a presença de uma mulher sendo representada somente do busto para cima. A composição da imagem é feita a partir de um corpo como base (em segundo plano, com coloração amarelada) e, por cima, em primeiro plano, vemos a presença de uma máscara composta por pedaços de outros rostos. Essa ideia de incompletude da mulher, pode fazer referência a falta de poder da figura feminina sobre si, além de representar um corpo comum, sendo possível que qualquer mulher se identifique.

Podemos levantar a hipótese de que Hannah Höch está questionando a identidade feminina, além de indagar essa incompletude que pode estar associada a falta de representação feminina, por exemplo, no cenário da arte. A própria artista, embora crucial para o movimento Dadaísta e para a invenção da fotomontagem, nunca ganhou o devido crédito pelos seus feitos, ficando sempre a sombra de seu companheiro, Raoul Hausmann.

Isso pode ser observado, por exemplo, no livro “Arte Moderna” de Giulio Carlo Argan (1992), que, embora aborde conceitos que vão do Iluminismo às vanguardas contemporâneas, perpassando pelo Dadaísmo, Argan não menciona Hannah Höch, o que reflete a negligência histórica enfrentada por artistas mulheres nas principais literaturas de História da Arte. Essa omissão destaca a necessidade de revisitar e reavaliar as contribuições femininas ao campo artístico, como discutido por Michelle Perrot (2019), obra que será posteriormente abordada para reforçar essa questão.

Por fim, a imagem da mulher, liberta dos padrões de beleza, pode levantar a crítica em relação ao uso idealizado do corpo feminino em relação a publicidade envolvida na venda de produtos de beleza da época, fato que Höch proponha desconstruir a partir da poética de suas obras.

A produção de Höch provoca reflexões sobre igualdade de gênero, revelando sua crítica social e política por meio da técnica. Algumas obras que tratam sobre essas temáticas, podem ser encontradas no livro “Dadaísmo”, da editora TACHEN. Nele, são analisadas obras como Da-Dandy, 1919, de forma semiótica e poética, revelando sua visão crítica e política através da produção artística.

Figura 3: Da-Dandy, 1919 – Hannah Höch. Fonte: Arts.
Figura 3: Da-Dandy, 1919 – Hannah Höch. Fonte: Arts.[2]
A fotomontagem acima foi criada em meio da Primeira Guerra Mundial, e nela pode-se observar várias mulheres vestindo trajes no estilo “dândi”, popular na década de 1920, associado ao rompimento das normas tradicionais de gênero. A composição inclui roupas de alfaiataria, colares de pérolas, pulseiras, sapatos de salto alto e chapéus, que compõem o visual das figuras femininas. Esses elementos fragmentados promovem uma desconstrução da imagem da “nova mulher” idealizada nos anos 20, emancipada, trazendo à tona reflexões sobre as relações de gênero e o papel da mulher na sociedade moderna.

Hannah Höch utiliza a técnica da fotomontagem para ilustrar a dinâmica de poder entre os gêneros na sociedade. Por meio de imagens fragmentadas e sobrepostas, a artista evidencia como o gênero influencia as expectativas sociais e as hierarquias de classe, questionando estereótipos e normas de feminilidade. Ao distorcer as imagens e criar realidades visuais, possivelmente, Höch sugere uma identidade feminina fluida e plural, em oposição à visão fixa e restritiva da mulher moderna. Com essa abordagem, a artista oferece uma crítica contundente à sociedade patriarcal e à mercantilização da imagem feminina nas mídias da época.

Além disso, o uso da fotomontagem, combina humor, ironia e absurdo (características intrínsecas do Dadaísmo), permitindo que Höch transforme a imagem feminina em um campo de contestação e reflexão. Na obra, ela não apenas retrata a liberdade da “nova mulher” dos anos 20, mas também explora as limitações e contradições associadas à moda e ao comportamento feminino desse período. Sua obra explora as possibilidades de uma identidade feminina plural e emancipatória.

Após analisar brevemente a obra de Hannah, podemos afirmar que suas colagens não apenas compõem novas realidades visuais, mas também questionam padrões sociais, propondo uma reflexão crítica sobre o conceito de beleza na arte, assim como faz Arthur Danto em “O Abuso da Beleza”. O autor ressalta que a arte pode funcionar como um veículo de significação, promovendo discussões sobre interpretação e experiência estética, o que fundamenta a análise da poética de Höch, mostrando como suas obras reagem ao contexto social de sua época e abrem espaço para novas narrativas visuais.

Segundo Danto (2015), a partir do século XX, quando os movimentos e vanguardas começaram a valorizar a expressão, a autenticidade e a ruptura com os padrões clássicos, a beleza passa a ser um elemento secundário, sendo a crítica e a provocação, elementos essenciais, assim como pode-se compreender na obra de Höch.

Essas diversas leituras, obras de arte e análises, entrelaçadas de maneira cartográfica, reforçam o impacto da obra de Hannah Höch e a relevância de sua técnica de fragmentação de imagem, que ultrapassa o estético para se afirmar como crítica social e política, ressignificando o papel da mulher na arte e na sociedade.

 

PROCESSO CRIATIVO E POÉTICA VISUAL NA OBRA DE HANNAH HÖCH

Para analisar o processo criativo e poética visual na obra da artista, foi reunida a perspectiva processual de Cecilia Salles, as reflexões críticas de John Berger e a abordagem de Fayga Ostrower sobre criatividade. Partindo desses teóricos, buscamos discutir como a prática artística de Höch subverte narrativas tradicionais e abre espaço para novas interpretações, revelando a arte como construção aberta, permeada por múltiplas camadas de significados, transformações, marcado pela experimentação, fragmentação e reconstrução dos sentidos.

A percepção artística, como atividade criadora da mente humana, é um dos momentos em que se flagra a ação transformadora. O filtro perceptivo vai processando o mundo em nome da criação da nova realidade em construção. A lógica criativa consiste na formação de um sistema, que gera significado, a partir de características que o artista lhe concede, ao longo do processo. É a construção de mundos mágicos gerados de estímulos internos e externos recebidos por meio de lentes originais. (SALLES, 2019. p. 95)

O ato de cortar, compor e sobrepor imagens, reflete uma poética de constante reconfiguração e busca por novos sentidos. Criar e desconstruir, é uma prática presente da obra da artista que constrói narrativas visuais que emergem da tensão entre fragmentos heterogêneos. Segundo Salles, “a noção de fragmento é essencial tanto para a literatura quanto para a arte.” (SALLES, 2019, p. 19), o gesto de fragmentar rompe com as formas tradicionais de olhar para o mundo, desconstruindo representações visuais e sociais, especialmente quando falamos no contexto do dadaísmo.

O conceito de construção constante ajuda a compreender os atos de cortar, compor e sobrepor imagens, que expressam uma poética de reconfiguração e  busca por novos sentidos. Salles (2019) analisa o processo artístico como um movimento entre criação e destruição, enquanto Höch constrói narrativas visuais que emergem da tensão entre fragmentos heterogêneos, descontruindo imagens para formar novas composições. Sua obra se apresenta como uma representação desse processo contínuo, sempre aberto a novas interpretações e em sintonia com a perspectiva processual defendida pela autora.

A prática não linear de Hannah Höch, ao reconstruir imagens e romper com a continuidade tradicional, resulta em composições que desafiam as convenções tradicionais da arte. Em consonância com essa prática, Ostrower (1977) defende a criação como uma construção aberta, na qual ideias e materiais se desenvolvem por meio de constantes experimentações e vivências.

A criação não se trata de um milagre nem de um talento exclusivo. Ela nasce da interação entre o ser humano e o mundo, e sua força deriva das descobertas e das experiências que cada um faz ao longo de sua vida. A criação é um processo de busca e de construção contínua. (OSTROWER, 1977, p. 112)

A autora amplia a discussão quando explora a criatividade como um processo dinâmico de descobertas e significações, baseado na intuição e experimentação, assim como Hannah Höch promove em suas colagens ao sobrepor imagens em uma busca por experimentações e construções de novas poéticas. Ao recortar e recombinar imagens da mídia e da cultura popular, Höch provoca uma reflexão sobre como a realidade é construída e como essas construções perpetuam normas e hierarquias.

As sobreposições visuais utilizadas pela artista, tem a intenção de que o espectador repense as associações entre imagens e questione significados preestabelecidos. Suas colagens, assim, não apenas desafiam leituras lineares, mas introduzem múltiplas camadas de interpretação, alinhado com a crítica de Berger (1999) sobre a multiplicidade de sentidos contidos nas imagens.

A obra de Hannah questiona as formas tradicionais de observar o mundo, desconstruindo representações visuais e sociais, especialmente no contexto do dadaísmo. Ver não é um ato neutro, mas condicionado por narrativas e estereótipos que moldam nossas interpretações das imagens e da realidade (BERGER, 1999), ao recortar e recombinar imagens da mídia e da cultura popular, Höch provoca uma reflexão sobre como a realidade é construída e como essas construções perpetuam normas e hierarquias, incluindo o controle sobre o corpo feminino.

Nunca olhamos para uma coisa apenas; estamos sempre olhando para a relação entre as coisas e nós mesmos. Nossa visão está continuamente ativa, continuamente em movimento, continuamente captando aquilo presente para nós do modo como estamos situados. (BERGER, 1999, p. 11)

Höch utilizava sobreposições visuais para que o espectador repensasse as associações entre imagens e questionasse significados preestabelecidos. Suas colagens, assim, não apenas desafiam leituras lineares, mas introduzem múltiplas camadas de interpretação, alinhado com a crítica de Berger sobre a multiplicidade de sentidos contidos nas imagens.

Dessa forma, a técnica de colagem de Höch, ao combinar fragmentação e recomposição, não apenas questiona a linearidade tradicional, mas também abre espaço para novas formas de ver e interpretar o mundo, alinhando-se com as perspectivas de Salles, Berger e Ostrower sobre a arte e o processo criativo.

COLAGEM, FOTOMONTAGEM, FRAGMENTAÇÃO E AGRUPAMENTO DE IMAGENS

A obra de Hannah Höch, como já mencionado acima, transcende a estética tradicional ao utilizar a fragmentação como uma estratégia técnica. Suas colagens e fotomontagens operam não apenas como formas visuais, mas como discursos que questionam normas sociais e de dominação cultural. A partir de diferentes perspectivas teóricas, investigaremos como as imagens, especialmente na prática da fotomontagem, articulam significados complexos e operam como formas de resistência.

Esta análise destaca como Höch reconfigura fragmentos culturais em novas narrativas, desafiando a linearidade e a lógica dominante. A leitura dessas obras revela que a imagem pode ser não apenas um reflexo da realidade, mas uma forma ativa de produzir conhecimento e transformação social, mostrando a potência da arte na desconstrução de discursos normativos, assim como é possível observar na obra abaixo.

Incisão com a faca de cozinha dadá na útlima época cultural da barriga de cerveja de Weimar na Alemanhã, 1919 – Hannah Höch. Fonte: Artchive
Incisão com a faca de cozinha dadá na útlima época cultural da barriga de cerveja de Weimar na Alemanhã, 1919 – Hannah Höch. Fonte: Artchive[3]
Na obra acima, a artista reúne fragmentos que retratam o caos político da época em que foi criada. Podemos observar diversos elementos que remetem a uma máquina: turbinas, rolamentos, rodas, engrenagens e peças soltas, fazendo a leitura que essa máquina está prestes a degringolar em meio a um mundo repleto de desordem política, e que, ao mesmo tempo, trazem certo movimento para a fotomontagem. A obra é povoada por pessoas com corpos fragmentados e desfigurados, característica da técnica de Hannah Höch.

A colagem reúne rostos de políticos, artistas e figuras em destaque na mídia contemporânea, o que ajuda a situar o trabalho da artista em seu contexto histórico. No canto superior direito, é possível notar a colagem das palavras “Die anti-dada” (contra o movimento dadá) sobre imagens de políticos como Kaiser Guilherme II, figura-chave no desastre da Primeira Guerra Mundial. No lado oposto, ainda na parte superior, referências propagandísticas predominam e, logo abaixo, o foco está no líder socialista alemão Karl Liebknecht, acompanhado pelo texto, em livre tradução, “Junte-se ao Dadá!”. Ao lado, na ponta direita da obra, vemos imagens de membros do movimento dadaísta e logo abaixo, um mapa da Europa que destaca em preto os países onde as mulheres ainda não tinham direito ao voto (HESSEL, 2024).

Ao centro da composição, no coração da obra, com o fundo aparentemente um pouco mais claro, há o corpo de uma bailarina com a cabeça separada, como se a mulher estivesse fazendo malabarismo com o próprio rosto exaltando, talvez, o poder feminino. A obra de Hannah Höch, carregada de humor e crítica social, captura o espírito de rebeldia do período e busca combater a desigualdade de gênero, chamando atenção para a presença da mulher nesse cenário.

Sobre o título da obra, a palavra “incisão” (schnitt, em alemão), possuí duplo sentindo. “Schnitt” pode estar relacionado com o recorte feito pela tesoura para a criação da obra, ou com a visão incisiva da artista que, de forma cirúrgica, representa os acontecimentos políticos da época. Além disso, o uso da palavra “cozinha” faz alusão aos papéis tradicionais e estereotipados atribuídos a mulher (ELGER, 2010).

As colagens da artista reorganizam imagens cotidianas e de propaganda em novas narrativas críticas, alinhando-se à noção de que as imagens podem refletir e produzir discursos complexos. No livro “Como Pensam as Imagens” (organizado por Etienne Samain), é possível comprovar os modos como as imagens operam como formas de pensamento autônomas e não meramente ilustrativos. O livro reúne diferentes ensaios que discutem a materialidade, estrutura e a capacidade das imagens de articular conceitos e experiências, propondo que as imagens possuem uma dinâmica própria de significação, sendo capazes de pensar e produzir conhecimento através de sua forma e estrutura, teoria fácil de identificar ao falarmos da obra de Höch.

A coletânea de artigos reforça a importância de entender a imagem como um objeto ativo, que participa na construção de significados e desafia noções tradicionais de representação. Essa perspectiva permite analisar a obra de Höch sob um viés que vai além da estética, considerando como suas montagens pensam questões sociais, de gênero e identidade. A técnica da fotomontagem funciona como um meio de expressão que reflete contextos sociais e políticos, como é possível observar na obra acima, sendo uma ferramenta poderosa para desestabilizar narrativas dominantes e incitar reflexões sobre a realidade.

Nesse contexto, a obra de Höch se destaca como um exemplo da fragmentação de imagens, expressando as complexidades da identidade feminina e os dilemas sociais de sua época. Ao abordar a relevância do contexto histórico e social na elaboração de fotomontagens, Aszmann (1961), oferece uma base teórica que enriquece as investigações sobre a técnica, mostrando como a fragmentação pode atuar como um meio de resistência e subversão.

A fotomontagem é uma associação de várias fotografias para formar uma obra pré-determinada. Embora a fotografia seja a mais fiel apresentação da realidade, a fotomontagem, como um conjunto de realidades, é sempre irreal; portanto, não leva como desvantagem os limites das fotografias simples e reúne as maiores possibilidades para aproximar-se do ideal. (ASZMANN, 1961, p.11)

Dessa forma, a obra de Hannah Höch transcende os limites da técnica e da estética, revelando-se como um poderoso instrumento de crítica e reflexão. Suas fotomontagens desconstroem narrativas hegemônicas, permitindo que novas perspectivas emergem a partir de fragmentos do cotidiano. Ao articular temas como gênero, política e identidade em composições visualmente impactantes, Höch não apenas questiona as estruturas dominantes de sua época, mas também abre caminho para um diálogo contínuo sobre as potencialidades da arte como forma de resistência e transformação social. Sua obra permanece atual, convidando-nos a repensar as imagens que nos cercam e os discursos que elas carregam.

 

GÊNERO E MULHERES NA ARTE E NA HISTÓRIA CULTURAL

A história da arte é marcada por silenciamentos e exclusões, especialmente no que se refere à participação e reconhecimento das mulheres. Ao longo dos séculos, discursos normativos e estruturas patriarcais relegaram as artistas à invisibilidade, excluindo suas contribuições dos relatos oficiais.

A obra de Hannah Höch pode ser entendida a partir de perspectivas feministas e históricas que resgatam vozes marginalizadas. Articulando com as reflexões de Michelle Perrot e Susie Hodge, propomos que a prática artística de Höch não apenas desafia convenções estéticas e sociais, mas também funciona como uma forma de resistência política, de maneora que a pesquisa sobre sua obra se alinha ao esforço de reescrever a história da arte, trazendo à tona narrativas plurais e reafirmando o lugar das mulheres na construção do discurso artístico, assim como é possível observas nas obras analisadas nos capítulos acima, evidenciando questões de gênero, desigualdades e denuncias políticas.

Ao longo da história, as mulheres foram frequentemente marginalizadas, representadas por meio de estereótipos e relegadas à esfera privada, enquanto suas vozes e feitos eram apagados dos registros oficiais (PERROT, 2019). Essa reflexão sobre exclusão dialoga diretamente com a trajetória de Hannah Höch, que foi historicamente subestimada e omitida nos relatos sobre as vanguardas.

Assim como Perrot defende a reescrita da história com foco nas experiências e contribuições femininas, o resgate da obra de Höch busca reivindicar seu papel artístico e político. Perrot enfatiza que o cotidiano feminino pode se transformar em resistência política, ecoando a prática de Höch, que frequentemente combinava imagens domésticas e ícones midiáticos para criticar as expectativas sociais sobre o papel das mulheres. Sua colagem reflete uma ruptura e uma nova construção da identidade feminina (como por exemplo em Da-Dandy – 1919), em sintonia com a proposta de Perrot de reconfigurar histórias esquecidas.

Para escrever a história, são necessárias fontes, documentos, vestígios. E isso é uma dificuldade quando se trata da história das mulheres. Sua presença é frequentemente apagada, seus vestígios, desfeitos, seus arquivos, destruídos. Há um déficit, uma falta de vestígios. (PERROT, 2019, p. 21)

De maneira similar, Susie Hodge, no livro “Breve História das Artistas Mulheres”, aborda as dificuldades que mulheres enfrentaram no campo da arte e o processo de recuperação de vozes silenciadas. Assim como Höch foi marginalizada no contexto das vanguardas, Hodge evidencia como várias artistas foram invisibilizadas, apesar de suas contribuições fundamentais.

O livro mapeia as condições sociais e culturais que impediram o reconhecimento dessas artistas, destacando como normas patriarcais e discriminação institucional moldaram a história da arte. No caso de Höch, embora ela fosse uma participante ativa do movimento dadaísta, seus colegas homens, como Raoul Hausmann e Hans Arp, receberam maior destaque, enquanto ela foi frequentemente esquecida nos relatos oficiais. Hodge (2022) também argumenta que muitas artistas subverteram linguagens tradicionais para afirmar suas vozes, alinhando-se com a prática de Höch, que utilizou colagens e fotomontagens para desafiar convenções e criar narrativas próprias. Reconhecer essas artistas não é apenas um ato de reparação histórica, mas uma forma de enriquecer a compreensão da arte por meio da pluralidade de perspectivas.

Nesse sentido, Höch não apenas resistiu aos discursos normativos, mas criou uma linguagem própria de expressão, utilizando a fragmentação como uma forma de questionar a dominação masculina e reimaginar a identidade feminina.

 

HANNAH HÖCH E A POÉTICA VISUAL DE OUTRAS ARTISTAS

O trabalho de Hannah Höch apresenta conexões com as produções de Barbara Kruger e Martha Rosler. Em diferentes contextos e momentos históricos, essas artistas utilizaram abordagens similares, como a fragmentação e a colagem para questionar normas sociais, gênero e poder, tornando seus trabalhos não apenas expressões estéticas, mas também discursos críticos. Ambas ampliam as práticas iniciadas por Höch, adaptando suas técnicas e mensagens às questões sociais, políticas e culturais de suas épocas, reforçando a relevância histórica da artista alemã.

Barbara Kruger utiliza a apropriação de imagens e a combinação de textos incisivos para confrontar sistemas de poder, consumo e as normas de gênero. Sua estética, que dialoga diretamente com a linguagem publicitária, critica o patriarcado e a sociedade de massas, confrontando o espectador de forma direta. Obras como Your Body is a Battleground (1989) abordam o corpo feminino como um campo de disputa política, ecoando as preocupações de Höch com a identidade feminina, mas expandindo-as para o contexto da sociedade de consumo e da manipulação ideológica pela mídia.  Ambas as artistas transformam suas colagens em ferramentas de resistência, expondo as dinâmicas opressivas presentes na sociedade.

Figura 5: Your body is a battleground, 1989 – Barbara Kruger. Fonte: The broad.
Figura 5: Your body is a battleground, 1989 – Barbara Kruger. Fonte: The broad.[4]

Martha Rosler, por sua vez, emprega a fotomontagem como uma ferramenta de crítica social e política. Na série House Beautiful: Bringing the War Home (1967–72), Rosler sobrepõe interiores domésticos luxuosos a imagens de guerra, especialmente do Vietnã, criticando a desconexão entre o privilégio ocidental e os horrores do imperialismo. Essa estratégia lembra o uso de Höch de imagens cotidianas e propagandas para construir narrativas alternativas como em “Incisão com a faca de cozinha dadá na útlima época cultural da barriga de cerveja de Weimar na Alemanhã” (1919), mas Rosler aprofunda essa abordagem ao tratar diretamente das desigualdades globais e do impacto da guerra. Tanto Hannah quanto Martha utilizam a fragmentação não apenas como técnica estética, mas como forma de subverter narrativas dominantes e abrir novas possibilidades de leitura crítica.

Figura 6: Cleaning the Drapes from the series House Beautiful: Bringing the War Homec. 1967- 72. Fonte: MOMA
Figura 6: Cleaning the Drapes from the series House Beautiful: Bringing the War Homec. 1967- 72. Fonte: MOMA[5]

A obra de Höch, que explorava as complexidades da identidade feminina e os dilemas sociais de sua época, abriu caminhos para que artistas como Kruger e Rosler pudessem transformar a fotomontagem em uma ferramenta ainda mais ampla de ativismo político. Se Höch desafiava os papéis de gênero e a fragmentação da identidade no início do século XX, Kruger e Rosler atualizam esses questionamentos, abordando temas como consumo, mídia, imperialismo e desigualdade global.

Portanto, a obra de Hannah Höch se posiciona como precursora de um discurso visual que foi expandido pelas artistas. A continuidade entre gerações reforça a relevância histórica de Hannah Höch, não apenas como precursora da fotomontagem, mas como uma artista que lançou as bases para práticas contemporâneas que desafiam normas culturais e estruturas de poder. Assim como Höch desestabilizou narrativas dominantes em sua época, Kruger e Rosler utilizam suas obras para propor novas formas de ver e pensar o mundo, reafirmando a força da arte visual como linguagem crítica e transformadora.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O método cartográfico mostra-se eficaz para representar, por meio de um mapeamento simbólico, a interconectividade entre diferentes obras, artistas e autores, como forma de organizar visualmente conceitos complexos, como a fragmentação, identidade e narrativa. Ademais, a cartografia foi utilizada para criar uma rede de interrelações entre autores, evidenciando narrativas visuais e inclusivas, salientando a marginalização e a ressignificação de obras femininas ao longo da história da arte.

Ao demostrar as relações entre as práticas artísticas subversivas e questões sociais como gênero e política, a cartografia contribui para visualizar a expansão dessas expressões, desde o contexto dadaísta até práticas contemporâneas.

No contexto contemporâneo, em que há uma superabundância de imagens, a cartografia pode ser alinhada à própria lógica da fragmentação discutida no artigo. Por meio do padlet produzido (link na introdução), é possível conectar as obras de Höch a referências artísticas e teóricas contemporâneas, como os conceitos de identidade e narrativa visual discutidos por autores como John Berger e Michelle Perrot. Esse recurso permite navegar por diferentes camadas de informação, mostrando como a prática da colagem se expande para outras formas contemporâneas de expressão.

Em suma, a cartografia se integra ao artigo como uma metodologia visual que organiza e articula as influências teóricas e artísticas da pesquisa. A cartografia reúne os pensamentos de teóricos como Cecilia Salles, Arthur Danto e Luciana Aszman, destacando as interconexões entre teoria e prática artística e a evolução das formas de expressão fragmentadas ao longo do tempo. Assim, a cartografia reforça a proposta da pesquisa ao mostrar como a criação artística inspirada na obra de Höch pode promover novas narrativas visuais e inclusivas, desafiando normas sociais e resgatando o protagonismo feminino na história da arte.

REFERÊNCIAS

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[1] Disponível em: <https://br.pinterest.com/pin/414964553135765355/>. Acesso em: 11 de nov. 2024.

[2] Disponível em: <https://www.artsy.net/artwork/hannah-hoch-da-dandy>. Acesso em: 28 de outubro de 2024.

[3] Disponível em: <https://www.artchive.com/artwork/cut-with-the-kitchen-knife-through-the-beer-belly-of-the-weimar-republic-hannah-hoch-1919/>. Acesso em: 23 de nov. de 2024.

[4] Disponível em: < https://www.thebroad.org/art/barbara-kruger/untitled-your-body-battleground >. Acesso em: 29 de outubro de 2024.

[5] Disponível em: < https://www.moma.org/collection/works/150123>. Acesso em: 29 de outubro de 2024.

 

Ysadora Lucas Lourenço é mestranda em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pós-graduada em Arte-Educação pelo SENAC (2021), graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Católica de Santos (2020), Membro do grupo de pesquisa Linguagem, Sociedade e Identidade: estudos sobre a mídia, na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Trabalho de pesquisa na área de Arte, com ênfase em fragmentação de imagem, colagem analógica, fotomontagem e estudo sobre gênero na arte. ysadorallourenco@gmail.com

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