Geração dopamina

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Geração dopamina: hiperconectividade, recompensas imediatas e os relacionamentos

RIBEIRO, Samuel Bezerra. Geração dopamina: hiperconectividade, recompensas imediatas e os relacionamentos. In: Aguarrás, vol. 12, n. 39. ISSN 1980-7767. São Paulo: Uva Limão, JUL/DEZ 2025. Disponível em: <https://aguarras.com.br/geracao-dopamina/>. Acesso em: [current_date format=d/m/Y].

 

RESUMO

Este artigo busca analisar como a hiperconectividade e a busca por recompensas imediatas afetam os relacionamentos na sociedade contemporânea, criando um ciclo vicioso de gratificação instantânea. A pesquisa justifica-se pela crescente dependência digital que prejudica a construção de vínculos profundos, tornando urgente compreender suas implicações sociais e psicológicas. O problema da pesquisa aborda a questão de como essas dinâmicas impactam a capacidade de estabelecer relações duradouras. A metodologia é qualitativa, com base na análise de “Nação Dopamina”, da Anna Lembke e alguns episódios de “The Feed” e “Black Mirror”.

Palavras-chave: Nação Dopamina. The Feed. Black Mirror. Hiperconectividade.

 

ABSTRACT

This article seeks to analyze how hyperconnectivity and the search for immediate rewards affect relationships in contemporary society, creating a vicious cycle of instant gratification. The research is justified by the growing digital dependence that harms the construction of deep bonds, making it urgent to understand its social and psychological implications. The research problem addresses the question of how these dynamics impact the ability to establish lasting relationships. The methodology is qualitative, based on the analysis of “Nação Dopamina”, by Anna Lembke and some episodes of “The Feed” and “Black Mirror”.

Keywords: Dopamine Nation. The Feed. Black Mirror. Hyperconnectivity.

 

INTRODUÇÃO

A sociedade contemporânea é marcada por uma necessidade constante de estar conectada o tempo inteiro e por uma busca descontrolada por gratificação imediata e recompensas por meio de engajamento, curtidas, comentários e visualizações. Uma “sociedade de consumo”. Você é aquilo que você posta e aquilo que comentam de/sobre você. A internet, por meio dos avanços tecnológicos e das tecnologias digitais, transformou a maneira como nos relacionamos e interagimos uns com os outros, além da forma como consumimos informação, como somos estimulados de forma compensatória e como buscamos o que é chamado de “prazer”. Desde a “Era do computador de mesa”, onde havia apenas um computador em cada casa, no lugar mais central possível, até a “Era do Smartphones”, onde cada um tem seu próprio “computador pessoal” na palma da sua mão. Tudo isso, passando pela internet discada, até a internet banda larga, Wi-Fi e dados móveis. Lembke[1] afirma: “Um dos maiores fatores de risco para se tornar dependente de qualquer droga é o fácil acesso a ela. Quando a obtenção da droga é mais fácil, nossa probabilidade de experimentá-la aumenta”. E ela conclui “Depois de experimentá-la, ficamos mais propensos a nos tornarmos dependentes dela” (LEMBKE, 2024, p. 25).

Assim, temos sido cada vez mais estimulados à conexão ilimitada (hiperconectividade) e ao sentimento constante de que precisamos da aprovação da nossa rede de “amigos virtuais”, buscando afirmação e satisfação. O pano de fundo? Uma cultura de gratificação imediata e de cancelamento instantâneo. Sem direito a “pausas” ou “continues”, como nos jogos.

Sobre esse desejo de aceitação e adequação, Bauman afirma:

 

O consumismo de hoje, porém, não diz mais respeito à satisfação das necessidades — nem mesmo as mais sublimes, distantes (alguns diriam, não muito corretamente, “artificiais”, “inventadas”, “derivativas”) necessidades de identificação ou a auto-segurança quanto à “adequação” (BAUMAN, 2021, p. 96).

 

Para Bauman, “a escolha do consumidor é hoje um valor em si mesma; a ação de escolher é mais importante que a coisa escolhida”, mesmo que essas escolhas sejam “elogiadas ou censuradas, aproveitadas ou ressentidas, dependendo da gama de escolhas que exibem” (BAUMAN, 2021, p. 112). Ele também afirma, ao citar Liisa Uusitalo, que os consumidores partilham dos mesmos lugares de consumo, que podem ser “salas de concertos ou exibições, pontos turísticos, áreas de esportes, shopping centers e cafés”, contudo, eles não interagem social e verdadeiramente. “Esses lugares encorajam a ação e não a interação” (BAUMAN, 2021, p. 124). Então, ele nos alerta que o “consumo é um passatempo absoluta e exclusivamente individual, uma série de sensações que só podem ser experimentadas — vividas — subjetivamente” (BAUMAN, 2021, p. 125).

Essa é realidade em que vivemos e que é explorada pelas obras que serão estudas nesse artigo. No livro “Nação Dopamina” (LEMBKE, 2024), a autora do livro discute como a dopamina, um neurotransmissor associado ao prazer e ao sofrimento, está no centro de comportamentos aditivos e compulsivos. Ela argumenta que a sociedade contemporânea, impulsionada pela tecnologia, criou um ambiente onde a gratificação instantânea é a norma que nos rege, levando a um aumento nos problemas comportamentais e de saúde mental.

“The Feed”, é uma série que explora um futuro próximo onde implantes neurais permitem que as pessoas compartilhem pensamentos e emoções instantaneamente, os chamados “mundles”. A série destaca as consequências de uma sociedade hiperconectada e a busca incessante por reconhecimento e gratificação. Nos episódios “15 milhões de méritos” e “Queda livre”, ambos da série “Black Mirror”, nos mostram uma sociedade pautada por conquistas e recompensas, sobre como os seres humanos são quantificados pelo que possuem ou pelo que conquistam.

O presente artigo examina essas dinâmicas através da análise do livro “Nação Dopamina” de Anna Lembke (LEMBKE, 2021), que será nosso referencial teórico, e usando como pano de fundo as séries “The Feed” (2019)[2] e alguns episódios de “Black Mirror”[3], a saber: “15 milhões de méritos”, episódio da 1ª temporada (2011); e “Queda Livre”, episódio da 3ª temporada (2016).

O objetivo é discutir, à luz dessas obras, a necessidade de recompensas imediatas, de estímulos altamente compensatórios e o desejo constante de “estar conectado”, mesmo nos desconectando de tudo mais, do momento que acordamos até o momento que vamos dormir, e quais são as implicações para o nosso comportamento social.

Em suma, esse artigo problematiza questões como equilíbrio entre a conexão e a desconexão, promovendo discussões em torno do uso mais consciente e saudável da tecnologia.

Futuros estudos poderiam explorar estratégias de desintoxicação digital e desestímulo do uso desenfreado e desequilibrado dessas ferramentas, algo que já é proposto na obra de Lembke, e a promoção do uso mais equilibrado e consciente das tecnologias, visando melhorar o nosso bem-estar social e psicológico, para o nosso próprio bem.

Essa pesquisa tem um caráter analítico, investigativo e bibliográfico. A metodologia utilizada neste artigo é uma análise qualitativa das obras mencionadas, focando nos temas de gratificação imediata e conexão constante. Os dados foram coletados, como já dito, a partir da série “The Feed” e de episódios da série “Black Mirror” e de capítulos do livro “Nação Dopamina”, obras que abordam a relação entre tecnologia, comportamento de consumo e dopamina. Analisando, assim, a sociedade em que vivemos.

Para finalizar a nossa análise, escolhemos alguns conceitos para discutir à luz do livro “Nação Dopamina” de Anna Lembke, da série “The Feed” e nos episódios “15 Milhões de Méritos” e “Queda Livre” de “Black Mirror”, como: hiperconectividade, recompensas imediatas e relações sociais e interpessoais.

 

“NAÇÃO DOPAMINA”

 

Nessa era digital, a gratificação instantânea tornou-se uma obrigação. Somos constantemente bombardeados por notificações, mensagens e conteúdo, gerados por algoritmos, que nos sugerem produtos para consumirmos, de acordo com o nosso histórico de pesquisa, ou prometem uma recompensa imediata, seja na forma de “likes”, compartilhamentos ou comentários. Esse ciclo vicioso e sem fim de estímulo e de recompensa, acaba ativando nossos sistemas de dopamina, criando uma dependência que é difícil de quebrar (prazer/sofrimento). A busca por esses estímulos se traduz em comportamentos compulsivos e, muitas vezes, em ansiedade e estresse. Lembke afirma:

 

transformamos o mundo de um lugar de escassez em um lugar de imensa abundância: drogas, comida, notícias, jogos, compras, jogos de azar, mensagens de texto, de sexo, do Facebook, do Instagram, do YouTube, do Twitter… Os números crescentes, a grande variedade e o imenso potencial de estímulos altamente compensatórios são atordoantes. O smartphone é a agulha hipodérmica dos tempos modernos, fornecendo incessantemente dopamina digital para uma geração plugada. Se você ainda não descobriu sua droga preferida, ela logo estará em um site perto de você (LEMBKE, 2024, p. 9).

 

Esse desejo de estar constantemente conectado, sempre checando as notificações do celular, ao acordar e antes de dormir, também tem profundas implicações para nosso comportamento social. A pressão para estar sempre presente nas redes sociais e responder rapidamente às mensagens pode levar a uma sensação de sobrecarga e esgotamento. Além disso, a comparação constante com os outros, impulsionada pelas redes sociais, pode levar a sentimentos de inadequação e baixa autoestima. Lembke afirma: “Sejam doces ou compras, voyeurismo ou cigarro eletrônico, seja feed de mídia social ou fofoca de WhatsApp, todos nós nos dedicamos a comportamentos que não queríamos ter, ou que até certo ponto lamentamos” (LEMBKE, 2024, p. 10). Esses “comportamentos que não queríamos ter, ou até certo ponto lamentamos”, são explorados nas obras Nação Dopamina, The Feed e Black Mirror, que destacam as várias consequências negativas do uso compulsivo da tecnologia.

A tecnologia, que deveria facilitar nossas vidas e otimizar o nosso tempo, muitas vezes acaba por nos aprisionar nesse “ciclo vicioso sem fim” de dependência e de busca por gratificação instantânea. As implicações para nosso comportamento social são vastas, afetando desde os nossos relacionamentos pessoais até nossa saúde mental. Parafraseando Lembke (LEMBKE, 2024, p. 22): “nos conectamos em vez de socializar, dormir ou nos dedicar à nossa família e amigos”. E, ao nos conectarmos, nos desconectamos do mundo ao nosso redor.

Insistimos nesse “consumo contínuo e compulsivo de uma substância ou um comportamento (jogos, video game, sexo), apesar do mal que fazem para a pessoa e para os outros” (LEMBKE, 2024, p. 23). A tecnologia se tornou uma droga viciante e não conseguimos nos desconectar. Horas e horas perdidas entre “storys”, “reels”, “shorts”, “trends”, “virais” etc. Essas são as drogas digitais, que tem viciado e escravizado muita gente que está absorta entre comentários, curtidas e compartilhamentos. Esse uso excessivo de tecnologia e redes sociais acaba levando ao vício e tem constantemente causado uma sensação de insatisfação e depressão. As Big techs têm criado produtos altamente viciantes, levando seus usuários a comportamentos compulsivos e prejudiciais. E essas ações têm sido auxiliadas “pela tecnologia transformadora que aumentou não apenas o acesso, como também o número, a variedade e a potência das drogas” (LEMBKE, 2024, p. 27).

Lembke afirma que a sociedade contemporânea: “oferece um vasto complemento de drogas digitais que antes não existiam, ou, se existiam, agora estão acessíveis em plataformas que aumentaram exponencialmente sua potência e disponibilidade”. E ela conclui: “Isto inclui pornografia online, jogos de azar e video games, só para citar alguns” (LEMBKE, 2024, p. 29).

Ela também nos traz o conceito de adicção, para nos mostrar os perigos do “consumo contínuo e compulsivo de uma substância ou um comportamento (jogos, video game, sexo), apesar do mal que fazem para a pessoa e para os outros” (LEMBKE, 2024, p. 23). E ela complementa que “a própria tecnologia é adictiva, com suas luzes pulsantes, seu estardalhaço musical, seu conteúdo ilimitado e a promessa, com uma participação contínua, de recompensas cada vez maiores” (LEMBKE, 2024, p. 30). Dessa forma, fica muito claro que como a nossa cultura tem sido moldada pela internet. Como o comportamento da sociedade contemporânea tem sofrido influência. Ela afirma: “A internet estimula um consumo compulsivo desenfreado, não apenas fornecendo maior acesso a drogas velhas e novas, mas também sugerindo comportamentos que, de outro modo, poderiam nunca nos ter ocorrido”. Então, ela conclui: “Os vídeos não se tornam apenas ‘virais’. Eles são literalmente contagiosos, daí o surgimento do meme” (LEMBKE, 2024, p. 33). E assim caminha a humanidade.

É importante discutirmos sobre a cultura do entretenimento. Lembke os considera como “exemplos extremos de fuga do sofrimento”.  Ela afirma que “perdemos a capacidade de tolerar até formas menores de desconforto”. E o que fazemos para fugir do sofrimento? Nós “procuramos nos distrair do momento presente, nos entreter” (LEMBKE, 2024, p. 45). Nos distraímos com entretenimento constantemente, como se isso nos anestesiasse, nos fizesse esquecer das inquietações do presente e das preocupações do futuro. Nos entretemos sem parar, “nos entretemos até morrer”. Lembke cita Neil Postman, que faz uma crítica à sociedade norte-americana: “Os americanos já não conversam uns com os outros, eles entretêm uns aos outros. Não trocam ideias, trocam imagens. Não argumentam com propostas, argumentam com boas aparências, celebridades e comerciais” (LEMBKE, 2024, p. 45). Precisamos nos desconectar para tentarmos nos reconectar com as pessoas ao nosso redor.

Por isso, a partir da série The Feed e de episódios da série Black Mirror, o assunto pode ser melhor explorado, pois ambas as obras oferecerem uma representação crítica da hiperconectividade e dos efeitos das recompensas imediatas no comportamento humano e nas relações sociais. Elas proporcionam um contexto ficcional, mas relevante, para entender as dinâmicas contemporâneas de dependência digital e suas implicações nas interações humanas, permitindo uma análise mais aprofundada dos desafios que surgem no mundo digital e suas consequências no cotidiano.

 

SÉRIE “THE FEED”

 

E se todos os nossos dispositivos fossem conectados à nossa mente? Se lêssemos mensagens, ouvíssemos mensagens de áudio, víssemos mensagens de vídeo, ouvíssemos a nossa playlist ou mudássemos o cenário ao nosso redor. Tudo em nossa mente. The Feed gira em torno da família “Hatfield”, que criou “a Fonte” (“The Feed”), e começa com uma propaganda da empresa que diz: “Conecte-se a todos em um piscar de olhos. Nunca mais perca aqueles momentos. Reviva-os. Esteja lá. Esteja informado. Seja melhor. Sonhem juntos. Descubram juntos. O conhecimento do mundo é seu em um piscar de olhos”. E o anúncio conclui: “Invente um mundo mais bonito. Compartilhe seu mundo. Compartilhe sua vida. Suas memórias, mundles, estão a salvo. Para sempre. The Feed”.

Num futuro não tão distante assim, as mentes de todas as pessoas estão interligadas, sendo possível que todos participem juntos de um grande evento online de escala global, como um casamento de uma “celebridade”, por exemplo. Isso garante uma “conectividade instantânea”. O casamento que quase foi arruinado, por causa de um “vírus” que conectou a mente de um dos “convidados”. Esse mesmo “vírus”, causará outros problemas durante a série, como conectar todos ao mesmo tempo, expor imagens de conflitos, catástrofes, de disparidades econômicas e sociais, de crimes contra a humanidade, e não permitir que ninguém se desconecte. Todos perderam o controle da “Fonte”.

A série provoca o espectador sobre imaginar ficar logado à internet o tempo inteiro, desde o acordar até o momento de dormir (e enquanto dorme também). Nessa série, há muitas discussões éticas, como sobre os que desejam estar conectados e usufruírem da “Fonte” e aqueles que preferem ficar desconectados, usufruindo dos simples prazeres da vida.

Na série, conhecemos um grupo de jovens. Um deles é o Danny. Todos são viciados em estarem conectados à “Fonte”, ficando numa espécie de “modo zumbi”. Principalmente o Danny, ao ponto de convulsionar ao tentar se desconectar, nem que seja por alguns poucos segundos, sofrendo uma espécie de “ataque epilético”. Ele acha que é “tudo muito parado” se ele se desconectar. Ele não tem autocontrole. Ele é viciado na “Fonte”, totalmente dependente. Ele deveria controlar a “Fonte”, mas é controlado por ela e isso prejudicava muito a sua vida. Por exemplo, ele foi atropelado por um carro enquanto fazia uma Live, fazendo com que precisasse de ajuda psicológica para controlar o seu vício. Ele justifica que não consegue se relacionar com ninguém fora da “Fonte” e que essa é a sua forma de interações.

Danny e seus amigos propõem desafios em busca de recompensas, moedas. Se os fãs gostarem do conteúdo, eles “curtem”. A cada 13 mil curtidas, uma moeda. Essas moedas poderiam ser usadas para atualizações, que é o desejo do Danny. Por exemplo, quando Danny quebrou seu braço fazendo a live, “não ganhou nem 90 moedas”. Então, lhe foi sugerido que ele se desconectasse propositalmente da “Fonte” ao vivo. Bem, o que acaba acontecendo e ele convulsiona diante de todos, em busca de curtidas e divulgação, tudo para conseguir as desejadas moedas. Ele quase morre, sendo preciso chamar uma ambulância, mas ganha as suas desejadas moedas: 2 mil moedas. Parece ficção?

A sociedade contemporânea é desesperada por visualizações, curtidas, compartilhamentos e comentários. Tudo por engajamento, assim gerando “publis” ou monetizações. Uma sociedade viciada em “storys”, “reels”, “shorts”, “trends”, “virais” etc. Pessoas viciadas em dancinhas do TikTok ou, como aconteceu recentemente, em 2023, nas “Lives de NPC”. Os NPCs (em inglês “non-playable character” e em português “personagem não jogável”), são aqueles personagens controlados pelo jogo e com o comportamento predefinido por programação. Faz sempre as mesmas coisas, repetidamente. “NPC” acabou se tornando um termo pejorativo usado para “pessoas sem importância”.

E os que são as “Lives NPC”? São vídeos ao vivo, no TikTok, onde as pessoas passavam horas sem esboçar sua personalidade, fazendo gestos mecânicos, de forma repetitiva e aleatória, de acordo com o que o público mandar. Como se fosse uma marionete ou objeto nas mãos do público que assiste, interagindo ao seu comando. A recompensa por isso: muitas moedas que são enviadas como presentes (o mesmo sistema usado em The Feed), que são trocadas depois por dinheiro real. Na época, 17,500 moedas valiam R$902,00. Pessoas que ganharam entre R$80,00 e até R$2.000,00/hora, dependendo do engajamento do público. Outro exemplo: Nicholas Perry, um violinista que decidiu ser conhecido na internet em 2016 e passou a fazer bizarrices. Ele descobriu que gravar vídeos comendo uma quantidade absurda de comida lhe dava muitas visualizações (fenômeno é conhecido como “mukbang”). Quanto mais ele comia, mais a audiência aumentava. Detalhe: ele foi vegano e tentou produzir conteúdo nessa temática. Bem, o seu canal “Nikocado Avocado” acumula 4,57 milhões de inscritos e mais de 2 bilhões de visualizações. Ele acabou se tornando um obeso mórbido, com mais de 159kg. Ele precisou usar um respirador e ter uma enfermeira particular. Ele rompeu três costelas de tanto comer e sofreu problemas conjugais. Depois de um tempo, ele apareceu com 113kg a menos. Ele revelou que o conteúdo postado nos últimos meses eram conteúdos antigos, que ele já tinha gravado antes de começar o processo de emagrecimento, e que tudo não passava de um experimento social. Ainda parece ficção? Infelizmente, não é.

 

SÉRIE “BLACK MIRROR”: 15 MILHÕES DE MÉRITOS

 

No episódio, a humanidade está num futuro distópico. Somos apresentados a Bingham Madsen, ou “Bing”, alguém que herdou do seu falecido 12 milhões de méritos, que é a moeda corrente nesse futuro, onde as pessoas trabalham basicamente como faxineiros, aqueles que não conseguem pedalar; ou, a grande maioria, pedalando para gerar eletricidade; ou para indústria que produz “conteúdo de entretenimento”, sem a necessidade de faxinar ou pedalar. Ou seja: ou você trabalha para sustentar a indústria do entretenimento ou você produz conteúdo para entreter os trabalhadores.

Nesse episódio, todos trabalham para acumularem créditos para suas necessidades básicas (comida, higiene etc.), ou para outras necessidades, como pular vídeos indesejados, comprar acessórios virtuais ou fazer um upgrade no seu quarto. Quando você opta por pular os anúncios ou vídeos que foram produzidos ou decide mutá-los, você é penalizado perdendo méritos por não consumir tal conteúdo que foi criado. Se você decide fechar os olhos, o vídeo é pausado até que você volte a assistir. Nessa sociedade, muitos desejam se tornar “Hot Shots”, para ter uma vida mais fácil.

Para vencer, você precisa conquistar a plateia espalhada por todo o mundo e representada por avatares. E assim, dia após dia, numa rotina, você cumpre esse “ciclo vicioso sem fim”. E assim todos: entram no elevador, trabalham, comem, voltam a trabalhar, consumem conteúdo, ou evitam consumi-lo, e voltam a dormir. Sem relacionamentos profundos ou “distrações”. Dia após dia, a não ser que não seja mais útil e acabe sendo descartado.

Até que Bing conhece Abi Khan, recém-promovida ao setor após completar 21, e tudo muda. Ele se encanta ao ouvi-la cantando uma música que aprendera com sua mãe, que aprendeu com a sua avó. Ele acha que ela deveria se inscrever no “Hot Shot” e se dispôs a pagar a sua inscrição no valor de 12 milhões de méritos. Quando vai comprar o ticket da Abi, descobre que a inscrição subiu para 15 milhões de méritos, basicamente tudo o que ele tem, restando-lhe 9.407 méritos. Ele a acompanha em sua apresentação, ela vai muito bem, mas o interesse dos jurados é na sua beleza, não na sua voz. Então, eles lhe dão uma escolha: ser uma escrava sexual ou continuar como escrava pedalando. Um dos jurados diz: “você é um acessório. Esqueça a vergonha e tudo mais. Nós medicamos contra isso. Você terá prazer para sempre”. Como é atual essa proposta. Então, ela aceita se tornar um produto do entretenimento e ser usada como um “acessório”, um objeto para entreter os outros, para a tristeza de Bing, que precisa assistir aos vídeos produzidos da Abi, sem conseguir pulá-lo, pois não tem mais recursos.

Ele quase desiste da vida, até que elabora um plano de vingança: ele trabalha bastante, usa pouca pasta de dente, come a comida dos outros e acumula 15 milhões de méritos. Então, ele compra um ingresso para o “Hot Shot”, não lhe restando mais nada. Ele não precisará mais. Após dançar diante da plateia, ele ameaça tirar a sua vida diante de todos, mas deseja dizer algumas palavras. Ninguém se importa se ele tirar a sua vida, mas uma jurada diz que deseja ouvi-lo. Então, enfatizando a sociedade não tem ouvido genuinamente, apenas processa mecanicamente aquilo que é dito. As pessoas são apenas objetos para entretenimento. Como ele diz: “Quanto mais falso o objeto, mais ele é amado”.

Uma sociedade de consumo, em busca de gratificação e reconhecimento, custe o que custar. A forma como nos comunicamos e nos expressamos foram reduzidos a um ato de consumo. Ele diz: “Só conhecemos objetos falsos e coisas para comprar. É como nos comunicamos, como nos expressamos. Comprando coisas”. Ele destaca a futilidade dos sonhos modernos. Para ele, a busca por algo real, belo e gratuito parece impossível numa sociedade anestesiada, incapaz de lidar com a bondade sem diluí-la e banalizá-la. Assim, a metáfora da vida diária como um ciclo vicioso sem fim, de pedalar incessantemente, fornecendo energia para sistemas que perpetuam a superficialidade e a futilidade.

Com um vidro no pescoço, um dos jurados afirma que ele disse o que todos gostariam de dizer se tivessem a oportunidade. “A autenticidade está em falta”, afirma o jurado. Então, um plot twist, uma reviravolta inesperada: este jurado lhe oferece um programa de 30 minutos, duas vezes por semana, para falar o que pensa, com o caco de vidro no pescoço. Ele aceitou, se vendendo ao sistema que acabara de criticar. Afinal, “é melhor do que a bicicleta”. Então, ele conseguiu parar de pedalar, conseguiu o “dormitório maior” e começou a produzir conteúdo para entreter a todos, enquanto pedalam para que produzam energia. Esse discurso, como toda a série, é uma crítica incisiva à desumanização, ao consumismo e à busca vazia por gratificação instantânea que permeia a sociedade contemporânea. Trabalhamos sempre mais e mais para trocarmos as “celas minúsculas e telas minúsculas” por “celas maiores e telas maiores”. Lembke afirma que é “o crescente problema do consumo compulsivo desenfreado com que nos deparamos hoje, mesmo quando temos uma vida boa” (LEMBKE, 2024, p. 23). E continuamos pedalando, sem parar, noite e dia.

 

SÉRIE “BLACK MIRROR”: QUEDA LIVRE

 

Esse episódio trabalha os aspectos das curtidas automáticas, sorrisos forçados e pessoas presas na virtualidade. Enquanto estão hiperconectada, essas pessoas trocam curtidas, postam suas vidas na internet esperando views e estrelinhas, o que garante o status e tudo o que esse status pode trazer. Nesse episódio, vemos as pessoas vivendo de aparências. Elas têm suas conversas pautadas pelo que foi postado nas redes sociais e suas amizades são escolhidas pela nota e a avaliação que as pessoas têm. Todos sabem a nota de todos e que avaliação as pessoas deram para você. As conversas são pautadas pelo que é visto nos perfis das redes sociais.

Então, lemos a personagem Lacie é uma mulher que deseja desesperadamente ser notadas nas redes sociais, buscando sempre aprovação. Ela se encontra num dilema: como ela precisa de uma casa nova, ela precisa melhorar a sua avaliação para conseguir um desconto num condomínio que deseja morar. Ela precisa subir de 4.2 para 4.5. Então, ela procura um “especialista em reputações” que mostra que ela tem a necessidade de um “impulso” de popularidade. Ela precisa se relacionar e ser bem avaliada por pessoas valiosas, bem avaliadas. Ao forçar a barra, ela não consegue ser bem avaliada como antes. Nessa série, a sua nota diz onde você vai trabalhar e onde vai morar. Ou, como veremos mais à frente, também determina se conseguirá remarcar seu voo, que tipo de carro você vai alugar, se conseguirá tratamento médico, se participará de um casamento ou entrará num condomínio etc.

As coisas começam a mudar na vida da protagonista, quando ela foi convidada por uma amiga da época da escola, alguém avaliada com 4.8. Ela convida a protagonista para ser sua madrinha de honra e discursar no casamento. Depois descobriremos que há intenções por trás desse convite. Bem, ela aceita, pois isso aumentaria sensivelmente a sua nota.

Só que tudo dá errado no dia da viagem. Ela perde pontos porque perdeu o taxi enquanto discutia com o irmão, perde pontos causa da avaliação negativa do seu irmão, porque esbarrou em alguém 4.8 ou porque não agradou ao taxista. Tudo pode fazer você perder pontos e ela perde alguns, chegando a 4.1. Então, ela vai ao aeroporto e descobre que o seu voo foi cancelado. Ela tenta remarcar seu voo e não consegue porque sua nota estava abaixo de 4.2. Ao se desesperar, ela briga com a atendente que chama o segurança do aeroporto por “intimidação e xingamentos”. Ela foi punida perdendo 1.0 da sua avaliação nas próximas 24 horas e todas as notas negativas teriam o dobro do valor.

Sua nova nota só lhe permite alugar um carro bem antigo, o que dificultará a sua viagem, fazendo-a abandonar o carro e procurar carona na estrada. Por causa da sua nota, ninguém quer ajudar. Então, uma caminhoneira lhe oferece carona. Essa senhora, que tem a nota 1.8, explica que já teve a nota 4.6. Ela explica que se esforçava muito para conseguir manter sua a nota até que seu marido morreu de câncer porque tinha “apenas” 4.3. Ele perdeu a vaga de um tratamento experimental, que poderia salvar a sua vida, para alguém que tinha 4.4. Bem, sua nota continua caindo até chegar a 2.6. Assim, ela é desconvidada para o casamento, pois a sua amiga de infância a convidou, pois, as simulações mostraram que ela ganharia nota com “a autenticidade de uma amizade com alguém com pouco mais de 4”. Agora, isso poderia manchar a sua reputação. Bem, ela insiste em ir para o casamento, arma a maior confusão e sua nota continua a despencar para menos de 1.0.

Bem, finalmente, ela foi presa. O interessante, é que ela saiu de uma prisão mental para uma prisão física, onde ela se sentiu finalmente livre. Esse episódio nos mostra como a pessoa é avaliada e descrita pelo que posta, de acordo com quem se relaciona e interage. Seu irmão havia avisado que o lugar onde ela desejava morar eram “prisões lotadas de sorrisos amarelos”. Em relação ao desejo dela de ter uma avaliação melhor e manter sua antiga amiga por perto, para conseguir essa nota, seu irmão afirmou: “essa coisa de avaliação, de ficar se comparando com pessoas que fingem ser felizes. Aposto que pessoas como a Naomi, por dentro, querem se matar”.

O fato é que este episódio é uma crítica à influência das redes sociais nas nossas vidas e à pressão para manter uma imagem perfeita para ser sempre bem avaliado. Essa obsessão em manter uma nota alta para obter benefícios e melhorias na sua vida, como um emprego melhor ou um apartamento melhor. A protagonistas viveu situações cada vez mais tensas por causa da sua obsessão por uma nota mais alta. Esse episódio revela os perigos de uma sociedade pautada pela popularidade, onde o valor de alguém é medido numericamente. Mas também não é assim a sociedade onde vivemos?

 

DISCUTINDO OS CONCEITOS PROPOSTOS

 

Alguns conceitos do livro “Nação Dopamina”, da série The Feed e dos episódios de Black Mirror, como hiperconectividade, recompensas imediatas e relações sociais e interpessoais, serão alvos de reflexão.

Lembke discute sobre a superficialidade das relações sociais e interpessoais numa era de hiperconectividade e busca por recompensas imediatas. A dopamina influencia, além da hiperconectividade e da busca por essas recompensas, nossos comportamentos e interações sociais. Tais recompensas, proporcionadas pelas redes sociais e smartphones, acabam atrapalhando e gerando dependência, o que interfere em nossos relacionamentos, impedindo-nos de manter relações pessoais saudáveis. Assim, as conexões humanas e os relacionamentos são sacrificados em prol de recompensas imediatas. Por isso, é preciso reequilibrar a forma como usamos tecnologia e lutar pela preservação da qualidade das nossas interações.

A hiperconectividade intensifica essa busca, tornando difícil para as pessoas desconectarem e se conectarem com as pessoas que estão próximas, encontrando, assim, satisfação em interações e atividades mais simples. Lembke argumenta que a gratificação instantânea proporcionada pela tecnologia pode levar a comportamentos obsessivos, ansiedade e depressão.

Numa era digital, a comunicação e a interação humana são mediadas por tecnologias que permitem uma conexão constante e ininterrupta. Isso é chamado de hiperconectividade. As obras exploradas nesse artigo, tratam sobre hiperconectividade e revelam um panorama futuro bastante preocupante sobre os efeitos da tecnologia na sociedade contemporânea. A “necessidade” de estar conectado o tempo todo e a busca desenfreada por reconhecimento e recompensas imediatas afetam a nossa saúde mental. Além disso, influenciam as nossas interações sociais, nos fazendo viver uma cultura de superficialidade e promoção pessoal. Assim, é preciso desconectar para se conectar de forma verdadeira.

Em The Feed, observa-se a dependência extrema e uma desconexão das experiências humanas reais. As interações autênticas são substituídas por conexões superficiais. Em “15 Milhões de Méritos”, de Black Mirror, conhecemos uma sociedade onde as pessoas vivem isoladas em células, pedalando bicicletas estacionárias para ganhar méritos. O episódio evidencia a alienação e à objetificação das pessoas. Em “Queda Livre”, a hiperconectividade é explorada através de um sistema social onde cada interação é avaliada por uma pontuação de cinco estrelas. O episódio reforça um comportamento superficial e a obsessão por validação nas redes sociais e aprovação social.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

No livro “Nação Dopamina”, Lembke discute como a busca descontrolada por prazer e recompensas imediatas cria uma sociedade viciada em estímulos, gerando dependência e sentimentos de insatisfação. Esse “ciclo vicioso sem fim”, tem sido agravado pela hiperconectividade, resultando em relações sociais superficiais e comportamentos compulsivos. Lembke argumenta que tais recompensas oferecidas pelas redes sociais e smartphones acabam atrapalhando e gerando dependência, prejudicando a capacidade de manter relações pessoais saudáveis. Para romper esse ciclo, é necessário reequilibrar o uso da tecnologia e valorizar as experiências autênticas e as recompensas de longo prazo.

The Feed ilustra como a tecnologia, criada para facilitar nossas vidas, pode aprisionar os indivíduos em um ciclo vicioso através da hiperconectividade. Os personagens, bombardeados por estímulos e recompensas instantâneas, experimentam interações sociais superficiais. Black Mirror: “15 Milhões de Méritos”, reflete uma sociedade na busca incessante por recompensas imediatas. Nele, os personagens passam o dia pedalando para ganhar méritos, resultando em relações filtradas por telas e pontuações, eliminando a capacidade de se formar conexões verdadeiras. Enquanto Black Mirror: “Queda Livre”, aborda um sistema de avaliação social que promove interações artificiais, corroendo as relações interpessoais pela obsessão por aprovação e recompensas instantâneas.

Em resumo, a hiperconectividade e o desejo por recompensa imediata moldam o comportamento da sociedade contemporânea, afetando negativamente a saúde mental e transformando as relações pessoais. As obras discutidas sugerem a necessidade de um uso mais consciente e equilibrado da tecnologia para preservar a qualidade das interações humanas.

O presente artigo demonstrou, através de uma análise do livro “Nação Dopamina” e de alguns episódios das séries “The Feed” e “Black Mirror”, a crescente necessidade de recompensas imediatas, de uma aceitação instantânea e de uma hiperconectividade que caracterizam a sociedade contemporânea. As obras analisadas neste artigo oferecem uma visão sobre as consequências preocupantes do consumo compulsivo da tecnologia, destacando como essa dependência pode impactar negativamente a saúde mental e as relações sociais.

As obras discutidas neste artigo, nos mostram exemplos muito claros de como a busca frenética por recompensas imediatas e a hiperconectividade podem levar a comportamentos compulsivos, levando ao aumento de casos de ansiedade e depressão. Esses comportamentos, muitas vezes alimentados pela dopamina liberada por recompensas digitais rápidas, refletem num ciclo vicioso sem fim, que é muito difícil de ser quebrado. A análise das obras demonstra que a necessidade de recompensas imediatas e de estar sempre conectado tem profundas implicações sociais e psicológicas. A tecnologia, embora traga benefícios, também pode criar um ambiente propício para comportamentos compulsivos, intensificando problemas de saúde mental e prejudicando as relações pessoais.

Logo, é essencial buscar um ponto de equilíbrio entre o “estar conectado” e “desconectado”, adotando práticas conscientes no uso da tecnologia, especialmente das redes sociais, sendo necessários períodos de desintoxicação digital. Estudos precisam ser elaborados para investigar e elaborar estratégias de desintoxicação digital, explorando diferentes abordagens e métodos para ajudar os indivíduos a recuperarem o controle sobre seu uso da tecnologia, tendo como ponto de partida os escritos de Anna Lembke. É preciso promover um uso saudável da tecnologia, através de campanhas educativas visando a conscientização. Ações como essa podem desempenhar um papel fundamental na construção de uma sociedade que não é escravizada pela tecnologia.

 

REFERÊNCIAS

15 MILHÕES de Méritos. In: BLACK Mirror. Criação de Charlie Brooker. Direção de Euros Lyn. Estados Unidos: Channel 4, 2011. 62 min. Temporada 1. Episódio 2. Série exibida pela Netflix. Acesso: 3 nov. 2024;

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. São Paulo/SP: Zahar, 2021;

LEMBKE, Anna. Nação Dopamina: Encontrando o Equilíbrio na Era do Excesso. 1ª Edição. 10ª reimpressão. São Paulo/SP: Vestígio, 2024;

QUEDA Livre. In: BLACK Mirror. Criação de Charlie Brooker. Direção de Joe Wright. Estados Unidos: Netflix, 2016. 63 min. Temporada 3. Episódio 1. Série exibida pela Netflix. Acesso: 3 nov. 2024;

THE Feed. Criação de Channing Powell. Estados Unidos: Amazon, 2019.  Série exibida pela Amazon Prime. Acesso em:  6 nov. 2024.

 

 

[1] Anna Lembke é uma psiquiatra estadunidense e uma das mais respeitadas especialistas em dependência química da atualidade. Professora da Universidade Stanford e chefe de uma clínica da instituição voltada para o estudo do tema, ela se tornou popular ao falar de vícios e transtornos de saúde mental de forma simples, acessível e esclarecedora. Ela escreveu os livros “Nação Dopamina” e “Nação Tarja Preta”. Ela afirma que as redes agravaram o drama social do vício e as implicações sociais de viver em um mundo que estimula a busca por prazeres artificiais. Ela nos alerta sobre os perigos das chamadas “drogas digitais” (como as redes sociais) e sobre o crescimento nas prescrições de opioides e psicotrópicos;

[2] “The Feed”: disponível na Amazon Prime;

[3] “Black Mirror”: disponível na Netflix;

 

 

Samuel Bezerra Ribeiro é mestrando e Pesquisador do Programa de Pós-graduação de Educação Arte e História da Cultura (PPGEAHC) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), sob orientação do Prof. Dr. Sérgio Ribeiro Santos. Bolsista da Universidade Presbiteriana Mackenzie (Bolsa Institucional). Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2013) e pelo Seminário Teológico de Fortaleza (2009). Membro do Grupo Interdisciplinar de Estudos Culturais e Linguagens na Con-temporaneidade (GIECLC), na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Pastor Presbiteriano e Professor de Teologia. E-mail: rev.samuelbribeiro@ipb.org.br

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