Cartografia do imaginário da mulher revolucionária
SOUZA, Larissa Azevedo. Cartografia do imaginário da mulher revolucionária. In: Aguarrás, vol. 12, n. 39. ISSN 1980-7767. São Paulo: Uva Limão, JUL/DEZ 2025. Disponível em: <https://aguarras.com.br/mulher-revolucionaria/>. Acesso em: [current_date format=d/m/Y].
Resumo
Este artigo tem como base a construção de uma cartografia para a análise de uma concepção de imaginário social, partindo da história cultural e da pesquisa de gênero. Levando em conta a estrutura sociocultural brasileira bastante reacionária e conservadora para a compreensão de como foi construído o imaginário da mulher revolucionária durante a ditadura militar, entre os anos de 1964 e 1985. Visto que além de uma período de forte repressão política a formação da família também era pautada em padrões de estrutura patriarcal. A Cartografia como metodologia de pesquisa nos possibilita uma análise mais concisa sobre o objeto de pesquisa, portanto este artigo vai apresentar o processo de criação, das inspirações e das abordagens teóricas para o tema.
Palavras-chave: Mulheres. Revolução. Interdisciplinaridade. História Cultural. Imaginário.
Abstract
This article is based on the construction of a cartography for the analysis of a conception of social imaginary, based on cultural history and gender research. Taking into account the very reactionary and conservative Brazilian sociocultural structure to understand how the imaginary of revolutionary women was constructed during the military dictatorship, between the years 1964 and 1985. Since, in addition to a period of strong political repression, the formation of the family was also based on patterns of patriarchal structure. Cartography as a research methodology allows us a more concise analysis of the research object, therefore this article will present the creation process, inspirations and theoretical approaches to the topic.
Key-words: Women. Revolution. Interdisciplinarity. Cultural History. Imaginary.
Introdução
Em perspectiva de uma visão feminista e sob a análise da história cultural, este artigo se propõe a uma investigação sob o aspecto do imáginário sociocultural em um cenário brasileiro entre os anos de 1964 e 1985, sendo um período de forte repressão do regime militar instaurado no país. Portanto, a metodologia cartográfica vai ser um componente para a estruturação das teorias, dos artigos e das inspirações que dão forma a uma pesquisa acadêmica.
O objeto da pesquisa é compreender a construção do imaginário brasileiro sobre as mulheres dadas revolucionárias, e para compor esta compreensão podemos analisar culturalmente as representações que são criadas, partindo da condição estruturante da sociedade, no período do recorte histórico. De acordo com Bourdieu (1987, p. 147), as estruturas, as representações e as práticas são simultaneamente constituintes e constituidas de maneira contínua. Para ele, as representações não são apenas construídas, mas também resignificadas conforme os interesses de um poder dominante. Nesse sentido, ao analisar figuras femininas reais, além dos estereótipos e das imagens formadas por uma construção social, é possível perceber que essas mulheres são, de fato, lutadoras com ideais próprios. Exemplos de tais mulheres incluem Dilma Rousseff, Iara Iavelberg, Beatriz Nascimento e Maria Amélia Teles. Embora possam ser consideradas revolucionárias no contexto histórico em questão, elas não se inserem na construção de uma imagem popular estereotipada. Ao contrário, essas mulheres são figuras reais e comuns, que se distanciam das representações de mulheres estereotipadas, muitas vezes retratadas sob uma ótica distorcida, seja como masculinizadas ou sexualizadas.
Tendo em vista que o padrão feminino do período era de mulheres submissas, em papéis sociais delimitados, como cuidadoras, mães e esposas, ou mesmo a boa dona de casa, sendo a sociedade brasileira amplamente machista, patriarcal e extremamente conservadora. Partindo do pressuposto que muitas dessas mulheres, consideradas como revolucionárias são analisadas socialmente por estereótipos construídos, e que a maior parte dessas mulheres eram da esquerda brasileira, acrescentando neste ponto de análise mais um estereótipo, que é o temido comunismo. Partimos de uma cartografia visual, para esta pesquisa, quando pensamos revolucionário, em amplo sentido, vamos imaginar pessoas que fogem do padrão pré-estabelecido socialmente, o diferente, aquele que está predisposto à revolução, ou seja, a mudança, então normalmente ao imaginarmos o homem revolucionário ele compõe armas, roupas de combate, e no caso das mulheres, ou elas não são nada femininas ou são mulheres com seios amostra, como apresentado no quadro da Revolução Francesa de Delacroix, “A liberdade guiando o povo”. Pois a mulher revolucionária, que é a liberdade, está com seios expostos.
Quadros e representações artísticas são sem dúvidas, utilizadas para compor e “dar vida” a um imaginário, portanto, neste ponto a arte muitas vezes torna-se fundamental para estas construções e para as análises de composição sociocultural.

La Liberté guidant le peuple, 1830 – Eugène Delacroix (Museu do Louvre, Palácio Grão-ducal). Fonte: Wikiart.org[1]
Um ponto importante a ser relacionado na pesquisa de gênero, na análise de imagens e contextos históricos são as discrepâncias existente quanto ao “papel” da mulher e seu silenciamento ou mesmo exclusão na história, pois a mulher (Liberdade) que guia o povo, não é a mulher da sociedade francesa, pois esta nem ao menos tem direitos.
Mas, se as mulheres devem ser excluídas, sem voz, da participação dos direitos naturais da humanidade, prove antes, para afastar a acusação de injustiça e inconsistência, que elas são desprovidas de razão; de outro modo, essa falha em sua NOVA CONSTITUIÇÃO sempre mostrará que o homem deve de alguma forma agir como um tirano, e a tirania, quando mostra sua face despudorada em qualquer parte da sociedade, sempre solapa a moralidade. (WOLLSTONECRAFT, 2016:20)
Por certo, aqui é apresentado efetivamente a importância do imaginário, das representações na pesquisa de gênero e na história cultural, mulheres fazem parte e compõem o imaginário, mas não necessariamente elas são incluídas na história, ou melhor dizendo, não fazem parte da composição do fazer histórico, como agente ativo.
O estudo sobre o imaginário torna-se complexo, pois compreende o “utópico”, o não real, mas podemos partir desta construção imagética aquilo que é criado por percepções sociais, por um coletivo. Segundo Baczko:
É assim que, através dos seus imaginários sociais, uma colectividade designa a sua identidade; elabora uma certa representação de si; estabelece a distribuição dos papéis e das posições sociais; exprime e impõe crenças comuns; constrói uma espécie de código de “bom comportamento”, designadamente através da instalação de modelos formadores tais como o do “chefe”, o “bom súbdito”, o “guerreiro corajoso”, etc. Assim é produzida, em especial, uma representação global e totalizante da sociedade como uma “ordem” em que cada elemento encontra o seu “lugar”, a sua identidade e a sua razão de ser. (BACZKO.1985:309)
Para Bourdieu, utilizaremos os conceitos de campus e de capital simbólico, ambos partem de um composto social utilizado para dominação. Já para Bronislaw Baczko, trabalharemos com o conceito de imaginário social, que será explorado para compreender essa construção social intencional, voltada a se impor sobre o outro.
O campo político é pois o lugar de uma concorrência pelo poder que se faz por intermédio de uma concorrência pelos profanos, ou melhor, pelo monopólio do direito de falar e de agir em nome de uma parte ou da totalidade dos profanos. O porta-voz apropria-se não só da palavra do grupo dos profanos, quer dizer, na maioria dos casos, do seu silêncio, mas também da força desse mesmo grupo, para cuja produção ele contribui ao prestar-lhe uma palavra reconhecida como legítima no campo político. (BOURDIEU. 2007:185.)
Na metodologia cartográfica, esses autores serão utilizados para compreender o conceito de imaginário social e como é possível assimilar o campo simbólico e político ao imaginário popular construído. Assim, servirão como base conceitual para dar início à composição proposta pela pesquisa, que se concentra nas mulheres durante a ditadura militar e no estudo das histórias insurgentes.
Em síntese, esta pesquisa e este mapeamento utilizam um fator social de difícil mensuração para compor não apenas o contexto histórico em análise, mas também para apreender suas nuances na sociedade contemporânea. Ademais, a intenção é compreender a importância dessas representações do imaginário social para o feminismo contemporâneo e para a igualdade de gênero. O objetivo desta cartografia é analisar a complexidade do imaginário social na construção do “ser mulher” na sociedade brasileira, investigando como as imagens criadas ao longo da história acabam distorcidas e contribuem para o silenciamento das mulheres. A proposta é examinar essas representações com o intuito de desconstruir estereótipos e ressignificar o papel feminino na história cultural, destacando as contribuições de mulheres revolucionárias reais. Para isso, será utilizada a curadoria do imaginário e do real, buscando validar a desconstrução necessária para um feminismo mais potente e transformador.
Inspirações revolucionárias e Estado da arte
Iniciamos apresentando o conceito revolucionárias e a motivação de tal escolha, já que na história das mulheres ainda há um amplo espaço para pesquisa.
Revoluções trazem a inovação de padrões estabelecidos. A etimologia da palavra revolução vem do latim Revolver que é “dar voltas”, mas em seu significado é a mudança. Portanto, a mulher revolucionária é aquela que já não aceita um padrão estabelecido socialmente, ela transita, ela transforma, é ousada. Estas mulheres não aceitam a imposição como o caminho final, cabe apenas a elas escolher os seus próprios caminhos. Mulheres revolucionárias estão “à frente do seu tempo”.
A História em vários aspetos possibilita uma reflexão, social, cultural, econômica, política entre outros, e para além dos diversos estudos historiográficos, as revoluções movimentam os estudos históricos, ou pelas palavras de Marx “As revoluções são a locomotiva da história.” (2012, pág. 98). Desta forma, compreender a história das mulheres partindo de uma análise de revolução é compreender também que nós, não apenas fazemos parte da história, como transformamos a história, sobretudo apresentando tantas mulheres que um dia foram silenciadas. A escrita historiografica em si é revolucionária, mesmo que só a partir da década de 1960 as mulheres iniciaram uma efetiva e ativa participação na vida pública, principalmente entrando nas universidades, apenas nos anos 1990 que as brasileiras iniciam uma escrita efetivamente feminista, produzindo pesquisas de gênero para compreender o papel da mulher na sociedade, que até este ponto era considerada apenas como coadjuvante.
No percurso cartográfico para analisar essa história feminina em contexto de ditadura militar as referências centrais serão utilizadas as pensadoras feministas, que analisam em seus trabalhos, as mulheres, a pesquisa de gênero e a compreensão social partindo do olhar feminino, essas são: Joan Scott, Angela Davis, Margareth Rago e Simone de Beauvoir.
Ainda que a historiografia das mulheres atualmente seja mais estudada, ao buscar pesquisas que compõem o aspecto revolucionário, pouco se apresenta sobre a concepção de revolucionárias no estudo brasileiro. Poucas pesquisas exploram efetivamente a questão da mulher como revolucionária partindo do período militar, os termos utilizados mais frequentes nas pesquisas são guerrilheiras, combatentes, subversivas, mesmo que a nomenclatura utilizada seja diferente o aspecto revolucionário em todas é bastante explorado. Mapear os trabalhos existentes possibilitou a apresentação desta pesquisa que aborda o conceito de imaginário, partindo de uma análise de aspecto sociocultural, abordando as questões de imagens criadas para a composição do ser mulher revolucionária.
Outro ponto a ser mencionado quanto ao mapeamento, são as referências utilizadas para a compreensão do tema. Portanto, os autores considerados necessários para a discussão de gênero. Este mapeamento foi possível por bancos de artigos e dissertações disponíveis, algumas possibilitam a efetiva pesquisa durante a ditadura militar brasileira, outras apresentam o aspecto feminino revolucionário, também foram mapeadas pesquisas que tinham como base o imaginário e a pesquisa de gênero.

Entre os artigos selecionados para compor esta pesquisa, apenas seis foram efetivamente utilizados até o momento. Na imagem acima, esses artigos estão organizados em uma planilha para a cartografia. Foram analisados aspectos como a temática abordada, as referências bibliográficas, o ano de publicação e, principalmente, os pontos discutidos pelos autores. Também foi feita uma análise detalhada para identificar quais aspectos ainda precisam ser considerados para a pesquisa, como, por exemplo, a composição da análise sobre o imaginário das mulheres revolucionárias durante o período da ditadura militar.
Diante do período histórico, que dispõe de vasta bibliografia e fontes alternativas como imagens, revistas, jornais, documentários, depoimentos e vídeos. Os vídeos, por exemplo, serão amplamente explorados, visto que possibilitam a escuta das mulheres partindo de suas histórias e memórias. Ademais, a importância da história oral é bastante significativa, em uma pesquisa que busca investigar o imaginário, pois este não é palpável ou mesmo visível, cabe interpretações e disposições de um senso comum que em muitos aspectos baseado em uma violência simbólica como abordado por Bourdieu em seu livro a “Dominação Masculina”.
É enquanto instrumentos estruturados e estruturantes de comunicação e de conhecimento que os sistemas simbólicos cumprem a sua função política de instrumentos de imposição ou de legitimação da dominação, que contribuem para assegurar a dominação de uma classe sobre outra (violência simbólica) dando o reforço da sua própria força às relações de força que as fundamentam e contribuindo assim, segundo a expressão de Weber, para a ‘domesticação dos dominados’ (BOURDIEU, 2007: 11).
Os Livros que compõem a referência bibliográfica foram discutidos junto à orientação deste trabalho, sendo a orientadora a Profº Drª Rosana Maria Barbato Schawartz, professora que também estuda mulheres e movimentos de mulheres. Esses livros, inspirações e notas, estarão no link (Mulheres Revolucionárias[2]), um Padlet criado para a cartografia da pesquisa, que ilustra e compõe o pensamento desta pesquisa. Importante ressaltar que, por opção, os livros selecionados constam em sua maioria mulheres autoras, para efetivamente criar uma escrita feminista com perspectivas feministas, e ainda sim os clássicos da história para compor uma base de discussão e compreensão.
O Imaginário e imagens das mulheres revolucionárias
Para garantir uma abordagem mais significativa, esta pesquisa também vai ser composta por imagens das mulheres que lutaram contra a ditadura militar de diversas maneiras, fazendo a luta armada, fazendo oposição, enfrentando familiares, estudando ou simplesmente não aceitando a imposição de um sistema violento e dominador. Com a composição imagética dessas mulheres é possível incluir rostos e corpos no imaginário. A curadoria das imagens apresentadas neste contexto reúne mulheres reais da ditadura militar, muitas das quais estiveram na linha de frente da luta armada. Elas são aquelas que estavam em movimento, e que não se enquadram nas representações estereotipadas de guerrilheiras ou rebeldes. São mulheres “comuns”, cujas histórias e trajetórias fogem das nomenclaturas simplificadoras que muitas vezes as reduzem.




A segunda parte desta curadoria que compõe este artigo é a do imaginário cultural, sendo explorado a partir de representações imagéticas de mulheres revolucionárias. Aplicando apenas a pesquisa de mulheres revolucionárias no buscador da internet.
A proposta de curadoria de imagens retiradas da internet visa capturar uma visão atual e popular da mulher revolucionária, permitindo observar as maneiras como essas figuras são representadas, interpretadas e entendidas no imaginário coletivo. Ao reunir imagens de diferentes fontes, buscamos investigar os elementos visuais e narrativos que são destacados ou deixados de lado, como os estereótipos moldam a percepção de suas ações e quais características reforçam ou contestam as ideias tradicionais de revolução e protagonismo feminino. Essa análise visual contribuirá para a compreensão de como a figura da ‘mulher revolucionária’ é construída, mantida ou desafiada na cultura digital, evidenciando possíveis lacunas ou estereótipos que influenciam a percepção popular dessas figuras, tanto históricas quanto contemporâneas.

Da mesma forma que é possível categorizar as mulheres armadas em movimentos e ações reais, na imagem a seguir observa-se o estereótipo da mulher revolucionária. Ela não é representada como uma figura feminina tradicional, mas sim com uma postura imponente. Seu rosto, marcado pela seriedade, e as roupas vermelhas, que simbolizam o comunismo, reforçam essa ideia. Os braços levantados expressam a luta, enquanto o outro braço, com o dedo indicador apontando para a realidade, sinaliza as mudanças que essa mulher busca promover.


Ao concluir esta curadoria, além das mulheres da Revolução Russa, a última imagem traz uma pintura sobre a Revolução Francesa, retratando a marcha das mulheres rumo a Versalhes. A imagem está acompanhada de uma reflexão sobre Olympe de Gouges, uma mulher revolucionária que foi condenada à guilhotina por lutar pelos direitos das mulheres. Na cena, mulheres comuns marcham, empunhando facões. As imagens foram selecionadas não apenas para resignificar o imaginário da mulher revolucionária e incluir as mulheres na história, mas também para promover uma reflexão mais ampla sobre o tipo de história que é ensinada e a importância da decolonialidade. Embora essa não seja a reflexão central deste artigo, é essencial reconhecer que ainda há uma necessidade urgente de recontar a história sob uma nova perspectiva de gênero, em que a interseccionalidade seja um fator crucial na análise dos imaginários.
Diante do exposto, é importante destacar que as representações do que imaginamos ou do que é entendido como senso comum estão carregadas de influências socioculturais. Vale ressaltar que as imagens mencionadas refletem a imaginação de uma cultura patriarcal, conservadora e europeia, o que evidencia a necessidade de um estudo crítico e aprofundado para a compreensão do processo histórico.
Considerações Finais
A metodologia cartográfica apresenta aqui neste trabalho, uma ampla importância para identificar as imagens e os textos que serão utilizados para realizar a pesquisa de mestrado, já que como apresentado ao longo deste artigo, trabalhar com o imaginário é trabalhar com um fator histórico imensurável, não é possível contabilizar, apresentar ou mesmo simplesmente catalogar, pois as representações compõe uma ideologia dominadora sob um sociedade dominada, que cria as imagens e os estereótipos sociais, quem decide as representações ou mesmo as violências simbólicas, como explicado por Bourdieu:
O habitus são princípios geradores de práticas distintas e distintivas – o que o operário come, e sobretudo sua maneira de comer, o esporte que pratica e sua maneira de praticá-lo, suas opiniões políticas e sua maneira de expressá-las diferem sistematicamente do consumo ou das atividades correspondentes ao do empresário industrial; mas são também esquemas classificatórios, princípios de classificação, princípios de visão e de divisão e gostos diferentes. Eles estabelecem a diferença entre o que é o bom ou é mau, entre o bem e o mal, entre o que é distinto e o que é vulgar, etc., mas elas não são as mesmas. Assim, por exemplo, o mesmo comportamento ou o mesmo bem pode parecer distinto para um, pretensioso ou ostentatório para ouro e vulgar para um terceiro. (BOURDIEU, 1996: 22)
Em síntese cabe a investigação em perspectiva feminista, histórica e decolonial para que essas representações possibilitem que a igualdade de gênero seja construída, e para que possa ser compreendida uma história das mulheres partindo não apenas daquilo que os homens contam para os homens, mas de uma análise de uma historiográfia para uma sociedade. Que não invisibilize, que não segregue e que mulheres, negros e as demais “minorias” socias possam fazer história ativamente dos seus para os seus.
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[3] Disponível em: Iara Iavelberg – Me https://memoriasdaditadura.org.br/personagens/iara-iavelberg/ morias da Ditadura. Acesso em: 21 de nov. 2024.
[4] Disponível em: https://memoriasdaditadura.org.br/personagens/therezinha-zerbini/. Acesso em: 21 de nov. 2024.
[5] Disponível em: https://memorialdaresistenciasp.org.br/pessoas/margarida-maria-alves. Acesso em: 21 de nov. 2024
[6] Disponível em: Dilma Rousseff – Memoria https://memoriasdaditadura.org.br/personagens/dilma-rousseff/s da Ditadura. Acesso em: 21 de nov. 2024
[7] Disponível em: Artigo | A lu https://www.brasildefato.com.br/especiais/artigo-or-a-luta-das-mulheres-e-a-atualidade-da-revolucao-de-outubro-de-1917ta das mulheres e a atualidade da revolução | Especiais. Acesso em: 21 de nov. 2024
[8] Disponível em: Mulheres Antifascistas! (1941) – https://www.revolustore.com.br/produtos/mulheres-antifascistas-1941/ Comprar em RevoluStore. Acesso em: 21 de nov. 2024
[9] Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-62210363. Acesso em: 21 de nov. 2024
Larissa Azevedo Souza é mestranda em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Graduada em História pela mesma universidade (2023), Bacharela em Relações Internacionais (2018). Membro do grupo de pesquisa Núcleo de Estudos de História da Cultura, Sociedades e Mídias, na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Trabalho de pesquisa na área de História, com ênfase em História da América, Mulheres na política sul-americana, movimentos feministas, Ditadura militar brasileira, História Cultural e Gênero.