Um vasto universo interconectado

artigos

“Um vasto universo interconectado”: uma cartografia da pesquisa em Grant Morrison[1]

[1] Grant Morrison, inserido como personagem em sua própria história, em Homem-Animal, concebe a realidade como “a visão de um vasto universo interconectado em que cada parte contém o todo” (2021, p. 378).

BITENCOURT, Christian D. S. “Um vasto universo interconectado”: uma cartografia da pesquisa em Grant Morrison. In: Aguarrás, vol. 12, n. 39. ISSN 1980-7767. São Paulo: Uva Limão, JUL/DEZ 2025. Disponível em: <https://aguarras.com.br/um-vasto-universo-interconectado/>. Acesso em: [current_date format=d/m/Y].

Resumo: Este artigo propõe uma “cartografia da pesquisa em Grant Morrison”, mapeando as principais áreas de investigação acadêmica sobre sua obra nos últimos 25 anos. Utilizando o conceito de “rizoma” de Deleuze e Guattari, o estudo identifica cinco “platôs” interconectados na pesquisa: (a) linguagem e realidade, (b) desconstrução do super-herói, (c) gnose e espiritualidade pós-moderna, (d) magia do caos e a subversão da realidade, e (e) metatextualidade e intratextualidade. A análise de trabalhos acadêmicos demonstra como esses temas se entrelaçam, formando uma rede complexa de significado. A obra de Morrison, assim como um rizoma, expande-se em múltiplas direções, resistindo a leituras lineares. A cartografia, como método, permite acompanhar essa multiplicidade de conexões e as zonas de intensidade que caracterizam sua produção, revelando a obra de Morrison como uma “máquina abstrata” em constante transformação. O artigo conclui que o mapeamento proposto não é exaustivo, incentivando novas pesquisas que explorem as conexões entre magia do caos e identidade, a crítica ao mercado editorial e a intertextualidade visual na obra do autor.

Palavras-chave: Palavras-chave: Grant Morrison, quadrinhos, rizoma, cartografia, super-heróis.

Abstract: This article proposes a “cartography of research on Grant Morrison,” mapping the main areas of academic investigation on his work over the past 25 years. Using Deleuze and Guattari’s concept of “rhizome,” the study identifies five interconnected “plateaus” in the research: (a) language and reality, (b) deconstruction of the superhero, (c) gnosis and postmodern spirituality, (d) chaos magic and the subversion of reality, and (e) metatextuality and intertextuality. The analysis of academic works demonstrates how these themes intertwine, forming a complex web of meaning. Morrison’s work, like a rhizome, expands in multiple directions, resisting linear readings. Cartography, as a method, allows us to follow this multiplicity of connections and the zones of intensity that characterize his production, revealing Morrison’s work as an “abstract machine” in constant transformation. The article concludes that the proposed mapping is not exhaustive, encouraging further research that explores the connections between chaos magic and identity, the critique of the publishing market, and visual intertextuality in the author’s work.

Keywords: Grant Morrison, comics, rhizome, cartography, superheroes.

 

 

Introdução

A obra de Grant Morrison, um dos autores mais prolíficos e inovadores dos quadrinhos contemporâneos, tem fascinado e desafiado leitores e pesquisadores nas últimas décadas. Seus quadrinhos, repletos de ideias complexas, referências metatextuais e experimentações narrativas, convidam a uma leitura atenta e a uma análise aprofundada. Este artigo propõe uma “cartografia da pesquisa em Grant Morrison”, mapeando as principais áreas de investigação, os pontos de convergência e as linhas de fuga que emergem dos estudos acadêmicos sobre sua obra nos últimos 25 anos.

O objetivo principal deste trabalho é traçar um mapa da pesquisa sobre Grant Morrison, utilizando o conceito de “cartografia” proposto por Deleuze e Guattari (1995a) em Mil Platôs como referencial teórico. A cartografia, para Deleuze e Guattari, não se limita a representar um território preexistente, mas busca capturar os fluxos, as conexões e as linhas de força que o constituem. No contexto deste artigo, a cartografia será empregada para mapear o campo da pesquisa sobre Morrison, identificando as principais áreas de investigação, as conexões entre elas e as possíveis direções para futuras pesquisas.

A metodologia empregada neste estudo consiste na análise de trabalhos acadêmicos publicados nos últimos 25 anos sobre a obra de Grant Morrison. Os textos foram selecionados através da plataforma “Google Acadêmico”, utilizando-se os filtros: trabalhos publicados desde 2010 e que contivessem a expressão “Grant Morrison” em seu título. A partir de uma leitura crítica e comparativa, serão identificados os principais temas, conceitos e abordagens que permeiam a pesquisa sobre Morrison. A análise dos textos permitirá a construção de um “mapa” da pesquisa.

A escolha do conceito de cartografia de Deleuze e Guattari se justifica pela natureza rizomática da obra de Morrison. Assim como um rizoma, a obra de Morrison se expande em múltiplas direções, sem um centro fixo ou uma hierarquia pré-definida. A cartografia, como método de pesquisa, permite acompanhar essa multiplicidade de conexões, revelando os fluxos de ideias, as linhas de força e as zonas de intensidade que caracterizam sua produção e os estudos que ela inspira. Tanto as obras de Morrison quanto o conceito deleuze-guattariano de cartografia desafiam as estruturas tradicionais de pensamento, convidando a uma exploração aberta, criativa e em constante mutação.

 

  1. MAPA E RIZOMA EM DELEUZE E GUATTARI

Em oposição às estruturas hierárquicas e lineares, representadas pela figura da árvore, Deleuze e Guattari (1995, p. 14) propõem o conceito de rizoma como modelo de pensamento e organização. A árvore, com sua raiz principal, tronco e ramificações, simboliza um sistema de relações fixas, preestabelecidas e unidirecionais. O rizoma, por sua vez, assemelha-se a uma rede complexa e multidimensional, sem um ponto de origem ou destino definido, cujas conexões se estabelecem de forma aleatória e imprevisível. Essa metáfora botânica, que evoca raízes que se espalham horizontalmente e se interconectam de maneira labiríntica, busca romper com a lógica arborescente que, segundo os autores, aprisiona o pensamento em categorias pré-definidas e impede a emergência de novos saberes.

O rizoma se caracteriza, em primeiro lugar, por suas conexões múltiplas e heterogêneas: “qualquer ponto de um rizoma pode ser conectado a qualquer outro e deve sê-lo” (DELEUZE, GUATTARI, 1995a, p. 14). Ao contrário da árvore, que impõe uma ordem e uma direção únicas, o rizoma se conecta a qualquer outro ponto, estabelecendo relações entre elementos de naturezas distintas, sem hierarquia ou subordinação. Essas conexões, como linhas que se cruzam e se bifurcam em um mapa, formam um tecido complexo e dinâmico, onde o diverso e o singular se entrelaçam, produzindo um campo de saberes em constante expansão.

Além disso, o rizoma se define pela ausência de pontos fixos e hierarquizados, pois, como afirmam Deleuze e Guattari, “a árvore articula e hierarquiza os decalques, os decalques são como folhas da árvore. Diferente é o rizoma, mapa e não decalque” (1995a, p. 20). A imagem do mapa, em oposição ao decalque, reforça a ideia de um processo dinâmico e aberto, que não busca reproduzir uma realidade preexistente, mas sim criar novas realidades a partir de suas conexões. No rizoma, não há centro, origem ou ponto final, apenas um meio em constante transformação, onde os elementos se conectam e se desconectam, formando novos agenciamentos.

Por fim, o rizoma se caracteriza por seus processos de devir e transformação, já que as relações entre os elementos da realidade são devires (DELEUZE, GUATTARI, 1995a, p. 8). O rizoma é um modelo de pensamento que valoriza o movimento, a mudança e a metamorfose, em oposição à estaticidade e à rigidez das estruturas arborescentes. O devir, nesse contexto, representa a passagem de um estado a outro, a transformação constante dos elementos e das relações que compõem o rizoma. Essa fluidez e essa instabilidade são a força motriz do pensamento, que impulsiona a criação de novos saberes e a desconstrução das categorias fixas que limitam a compreensão do mundo.

Diante da complexidade e da multiplicidade do rizoma, surge a necessidade de ferramentas que possibilitem sua exploração e compreensão. Deleuze e Guattari (1995a, p. 21) propõem o mapa como instrumento privilegiado para essa tarefa. O mapa é aberto, pois permite a inclusão de novos elementos e conexões; é conectável, pois se liga a outros mapas, formando um tecido rizomático ainda mais amplo; é desmontável, pois pode ser reconfigurado de acordo com as necessidades da pesquisa; e é reversível, pois não impõe uma direção única de leitura, permitindo múltiplos percursos e interpretações.

No contexto do rizoma e da experimentação, Deleuze e Guattari propõem o conceito de máquina abstrata (1995b, p. 84-86). A máquina abstrata não se confunde com uma infraestrutura material ou com uma Ideia transcendente. Ela não busca representar o real, mas sim construir um “real por vir”, um novo tipo de realidade que emerge a partir de seus agenciamentos. A máquina abstrata tem um “papel piloto”, operando os “continuums de intensidade, as conjunções de desterritorialização, as extrações de expressão e de conteúdo” que impulsionam o movimento do rizoma.

A máquina abstrata se define por seu diagramatismo, ou seja, por sua capacidade de operar de forma imaterial e abstrata, conectando elementos heterogêneos e produzindo novas realidades. Ela é um Abstrato-Real, que se opõe à abstração fictícia de um modelo transcendente. A máquina abstrata é imanente ao rizoma, operando em seus fluxos e produzindo seus devires. Neste sentido, cada máquina abstrata é singular, com um nome próprio e uma data, que marcam sua emergência no rizoma e sua função específica.

 

  1. OS PLATÔS DE GRANT MORRISON

A obra do escocês Grant Morrison muitas vezes desafia as abordagens críticas tradicionais que buscam impor uma ordem e um sentido único às narrativas. As múltiplas camadas de significado, as referências intertextuais e a subversão de convenções narrativas presentes em seus quadrinhos convidam a uma leitura que abrace a multiplicidade e a instabilidade, similar à proposta do rizoma deleuze-guattariano. Neste sentido, a obra de Morrison é um Abstrato-Real, um rizoma que se caracteriza por conexões heterogêneas, ausência de pontos fixos e processos de devir e transformação, resistindo a análises que buscam reduzi-la a uma estrutura arborescente, hierárquica e linear.

A metáfora do mapa surge como ferramenta para explorar a complexidade da obra de Morrison. Os temas abordados pelo autor, em obras como “Homem-Animal” (1988-1990), “Batman: Asilo Arkham” (1989), “Os Invisíveis” (1994-2000), “Novos X-Men” (2001-2004), e “Grandes Astros Superman” (2005-2008), exigem uma abordagem que reconheça a coexistência de múltiplas interpretações e a impossibilidade de uma leitura totalizante.

A “máquina abstrata” de Morrison, construída a partir da linguagem, da narrativa e da desconstrução da realidade, convida o leitor a participar de um jogo metafísico, desafiando-o a questionar os limites da percepção, a explorar a natureza da ficção e a construir novas realidades a partir da interação com suas obras. Assim como as máquinas abstratas de Deleuze e Guattari, os quadrinhos de Morrison operam em um plano de imanência, gerando fluxos de intensidade, desterritorializações e novas formas de expressão, criando um “Abstrato-Real” que transcende as limitações da realidade consensual.

A pesquisa sobre a obra de Morrison, sob essa perspectiva, se torna um processo de mapeamento, de exploração de um território complexo e multifacetado. O mapa, nesse contexto, não é um guia que conduz a um destino predefinido, mas sim um instrumento que auxilia na navegação por um espaço em constante transformação, revelando as diferentes camadas de significado, as linhas de fuga e os pontos de convergência que compõem o universo narrativo do autor.

Mapear a pesquisa sobre Morrison é desvelar seus platôs. De acordo com Deleuze e Guattari, os platôs são “toda multiplicidade conectável com outras hastes subterrâneas superficiais de maneira a formar e estender um rizoma” (1995a, p. 32). Assim, nesta abordagem cartográfica, a revisão da literatura sobre Grant Morrison revela diversos “platôs” ou pontos de convergência na pesquisa, que se interconectam de maneira complexa, formando um rizoma.

Os temas e conceitos recorrentes na análise da obra de Morrison podem ser mapeados em cinco grandes platôs: (a) linguagem e realidade, (b) desconstrução do super-herói, (c) gnose e espiritualidade pós-moderna, (d) magia do caos e a subversão da realidade, e (e) metatextualidade e intratextualidade.

(a) Linguagem e Realidade: Esse platô se conecta diretamente com os outros quatro, pois a linguagem é o meio pelo qual Morrison explora e subverte a realidade, desconstruindo o super-herói, incorporando elementos da gnose e da magia do caos, e utilizando a metatextualidade e intertextualidade. Em suas obras, a linguagem não é apenas um reflexo da realidade, mas uma força capaz de moldá-la.

(b) Desconstrução do Super-herói: Morrison desconstrói a figura tradicional do super-herói, humanizando-o e explorando suas falhas e contradições. Essa desconstrução se dá por meio da linguagem, questionando os limites da realidade e explorando a natureza da ficção. Os heróis de Morrison são frequentemente reflexos distorcidos dos arquétipos clássicos, revelando a fragilidade da identidade e a instabilidade da realidade.

(c) Gnose e a Espiritualidade Pós-moderna: A gnose, com sua busca por conhecimento oculto e libertação espiritual, permeia a obra de Morrison. Essa busca se manifesta na desconstrução do super-herói, que se torna um veículo para a exploração de realidades alternativas e a busca por um significado transcendente. A espiritualidade pós-moderna, com sua ênfase na experiência individual e na fragmentação da verdade, também se conecta com a desconstrução da realidade e a subversão da linguagem.

(d) Magia do Caos e a Subversão da Realidade: Morrison, um praticante declarado da magia do caos, utiliza esse sistema de crenças e práticas para subverter a realidade e desafiar as convenções narrativas. A magia do caos se conecta com a linguagem através do conceito de sigilos, símbolos que atuam como ferramentas para a manifestação de desejos e a alteração da realidade. Em suas obras, a realidade é maleável e pode ser manipulada pela vontade e pela crença.

(e) Metatextualidade e Intertextualidade: Morrison utiliza a metatextualidade para romper a quarta parede e comentar sobre a natureza da ficção, enquanto a intertextualidade o permite tecer uma rede complexa de referências e alusões a outras obras. Esses elementos contribuem para a desconstrução da realidade e do super-herói, criando narrativas multifacetadas que desafiam as expectativas do leitor.

É possível traçar conexões entre os cinco platôs da pesquisa sobre Grant Morrison, entendendo cada um como um ponto em um rizoma, conectados de maneira não-hierárquica. A pesquisa sobre “linguagem e realidade”, por exemplo, se conecta com a “desconstrução do super-herói” e os textos que abordam a “magia do caos e a subversão da realidade”. A linguagem, para Morrison, é uma ferramenta poderosa que molda a realidade e desconstrói as figuras tradicionais dos super-heróis. Essa concepção se alinha com a magia do caos, que vê a realidade como maleável e suscetível à manipulação por meio da vontade e da crença. A linguagem, nesse contexto, assume o papel de um sigilo, um símbolo capaz de manifestar desejos e alterar a realidade.

A “desconstrução do super-herói” se relaciona com o tema da “gnose e a espiritualidade Pós-moderna” ao utilizar a figura do herói como um veículo para explorar realidades alternativas e a busca por significado transcendente. Essa desconstrução, que humaniza o herói e expõe suas falhas, se alinha com a busca gnóstica por conhecimento oculto e libertação espiritual. A fragmentação da verdade, característica da espiritualidade pós-moderna, ecoa na instabilidade da realidade e da identidade explorada por Morrison.

A subversão da realidade pela magia do caos, por sua vez, se conecta com o platô da “metatextualidade e intertextualidade” ao utilizar elementos metatextuais para romper a quarta parede e comentar sobre a natureza da ficção. A intertextualidade permite a Morrison tecer uma rede complexa de referências a outras obras, criando narrativas multifacetadas que desafiam as expectativas do leitor. A magia do caos, nesse sentido, contribui para a desconstrução da realidade, questionando os limites da ficção e da própria narrativa.

A gnose e a espiritualidade pós-moderna se conectam de volta com o platô da “linguagem e realidade”, pois a busca por conhecimento e a fragmentação da verdade se expressam e se manifestam através da linguagem. Morrison utiliza a linguagem para explorar os temas gnósticos e a experiência individual na pós-modernidade, criando narrativas que desafiam as concepções tradicionais de realidade e espiritualidade.

Neste mesmo movimento, a metatextualidade e a intertextualidade se conectam de volta com o tema da “desconstrução do super-herói”, pois ao comentar sobre a natureza da ficção e criar narrativas multifacetadas, Morrison desestabiliza a figura do herói e questiona os limites da realidade. As referências intertextuais e os comentários metatextuais contribuem para a desconstrução da figura tradicional do super-herói, revelando a complexidade da identidade e a instabilidade da realidade.

Em suma, cada um dos cinco platôs se conecta aos outros, criando uma rede complexa de significado na obra de Grant Morrison (conforme se vê no mapa da figura 1). A linguagem, a desconstrução do super-herói, a gnose, a magia do caos e a metatextualidade se entrelaçam, criando uma teia complexa de significado. Essa teia, como um rizoma, se espalha em direções imprevisíveis, convidando o leitor a explorar as múltiplas conexões e possibilidades da obra de Morrison.

Figura 1. As conexões entre os platôs da pesquisa sobre Grant Morrison. Fonte: produção autoral.
Figura 1. As conexões entre os platôs da pesquisa sobre Grant Morrison. Fonte: produção autoral.

 

  1. CAMINHANDO PELOS PLATÔS DE MORRISON

Ainda que de uma forma não-exaustiva, faz-se necessário caminhar pelos cinco platôs da pesquisa sobre Grant Morrison, identificando de que maneira os trabalhos contribuem para a constituição deste rizoma entre linguagem e realidade, desconstrução do super-herói, gnose e espiritualidade pós-moderna, magia do caos e a subversão da realidade, e metatextualidade e intratextualidade.

Mario Ramos Vera (2020) examina como Morrison usa a filosofia da linguagem para explorar a natureza da realidade. Vera destaca a série Os Invisíveis, onde Morrison apresenta a ideia de uma linguagem com efeitos ontológicos. Vera relaciona essa ideia com a Cabala e com as teses de Descartes, Leibniz e Humboldt, demonstrando a complexidade da relação entre linguagem e realidade na obra de Morrison. Neste mesmo caminho vai a tese de Attila Piovesan (2020), também sobre Os Invisíveis, destacando o problema da distinção entre realidade e ficção e a relação ontológica entre linguagem, espaço e tempo na construção da subjetividade.

Felipe Rachelle (2019) aborda a construção da narrativa em Asilo Arkham e como Morrison tece um diálogo entre a sanidade e a insanidade, utilizando a linguagem para questionar a dualidade tradicional entre razão e loucura. Rachelle destaca a influência de figuras como Freud, Jung e Aleister Crowley na obra de Morrison, argumentando que o autor utiliza a linguagem para explorar os labirintos da mente humana, revelando a fragilidade da razão e a complexidade da psique. Este é um bom exemplo de trabalho que passeia por vários platôs, como o da linguagem, da gnose e da magia do caos.

Em sua dissertação, João Senna Teixeira (2014) observa como o autor utiliza a linguagem para desafiar convenções e romper com a tradição dos quadrinhos de super-heróis. Teixeira destaca a influência de autores como Alan Moore e Umberto Eco na obra de Morrison, argumentando que o autor se apropria de elementos da cultura pop e da literatura para criar uma narrativa complexa, irônica e autorreferencial.

Fábio Ortiz Goulart (2024) analisa como Morrison, em New X-Men, moderniza os personagens, questionando os modelos tradicionais de masculinidade e heroísmo. A desconstrução da figura de Ciclope, por exemplo, revela suas inseguranças e a influência do trauma em suas ações, humanizando o personagem e problematizando a imagem do herói clássico. Neste mesmo sentido, Emmanuel Espinosa Lucas (2017) destaca a importância da liberdade criativa proporcionada pela reconfiguração do super-herói nas HQs. Essa liberdade, segundo o autor, permitiu a Morrison explorar a complexidade dos personagens e apresentar heróis com defeitos, dúvidas e dilemas éticos. Francisco J. Órtiz (2013) também observa essa desconstrução em Homem-Animal, onde o herói é confrontado com a artificialidade de sua própria existência. Essa experiência, segundo Órtiz, leva à desmistificação do herói e à busca por um novo significado para o heroísmo, mais autêntico e conectado com a realidade.

Os ensaios organizados por Darragh Greene e Kate Roddy (2015) destacam a reinterpretação dos heróis em Morrison. Assim como os humanistas da Renascença revisitaram os clássicos greco-romanos, Morrison revisita a Era de Prata dos quadrinhos, resgatando elementos e personagens para reinterpretá-los sob uma nova ótica. Essa releitura permite a construção de um novo heroísmo, mais complexo e adaptado à contemporaneidade.

Ao tratar do personagem Zenith, Chris Murray (2013) também analisa a desconstrução da figura do herói. Murray argumenta que Morrison subverte as expectativas do leitor, apresentando um herói egoísta e sarcástico que desafia as convenções do gênero. Assim também faz Amadeo Gandolfo (2016), observando a desconstrução do mito do super-herói na obra de Morrison, especialmente em Multiversity. Gandolfo argumenta que Morrison questiona a onipotência e a infalibilidade dos heróis, revelando suas falhas e a complexidade de suas motivações.

Attila Piovesan (2019) analisa a série Os Invisíveis sob a ótica do gnosticismo. Piovesan destaca o confronto entre os Invisíveis, representando a gnose e a liberdade, e a Igreja Externa, símbolo do controle e da ignorância. Essa luta, segundo Piovesan, reflete a dualidade gnóstica entre o mundo material, visto como ilusório e corrompido, e o mundo espiritual, representando a verdadeira realidade e a liberdade. Grégori Michel Czizeweski (2016b) também se debruça sobre a série sob a perspectiva da espiritualidade pós-moderna. Ele argumenta que a obra de Morrison reflete a fragmentação da realidade e a busca por novas formas de significado em um mundo desiludido.

Também neste platô da gnose e da espiritualidade, Felipe Ribeiro Cazelli (2019) explora a dimensão mítica e espiritual da obra de Morrison, argumentando que seus trabalhos transcendem o gênero de super-heróis para se tornarem narrativas sobre a busca pelo sagrado em um mundo profano. Cazelli destaca a influência da mitologia, do ocultismo e da filosofia na construção do universo simbólico de Morrison, que busca reencantar o mundo e revelar as forças ocultas que o governam.

O platô da metatextualidade em Morrison se manifesta de diversas formas, indo além da simples quebra da quarta parede. Em Homem-Animal, Morrison insere a si mesmo como personagem, confrontando o protagonista e expondo a artificialidade da narrativa. Esse tipo de autorreferência, que Marc Singer (2012) chama de flagrantes experimentos com formas narrativas, questiona a relação entre autor, obra e leitor, revelando as engrenagens da ficção.

Steven Zani (2009) também destaca como Morrison, em Homem-Animal, expõe as estruturas de desejo por trás da produção de quadrinhos. Ao revelar o parágrafo de suspense e comentar sobre as motivações editoriais por trás da narrativa, Morrison desmistifica a ilusão de uma história orgânica e independente, revelando a influência do mercado e da indústria na criação da obra.

A intertextualidade, por sua vez, é fundamental para a construção do universo complexo e multifacetado de Morrison. Mario Vera (2020) observa como Morrison utiliza a intertextualidade para explorar questões filosóficas complexas, como a relação entre linguagem e realidade. Em Os Invisíveis, por exemplo, Morrison se apropria de conceitos gnósticos e herméticos, utilizando a figura do super-herói como um veículo para a exploração de realidades alternativas e a busca por um significado transcendente.

A intertextualidade em Morrison não se limita a referências textuais. Oliver Moisich (2021) argumenta que, em Flex Mentallo, Morrison incorpora elementos visuais de diferentes eras dos quadrinhos, criando uma narrativa que dialoga com a própria história do meio. Ele destaca ainda a interconexão entre a biografia de Morrison e sua obra. Essa fusão entre realidade e ficção, mediada pela intertextualidade, contribui para a desconstrução da figura do autor e a criação de uma narrativa multifacetada.

Na tabela abaixo, observa-se um quadro que sintetiza as diversas perspectivas acadêmicas sobre a obra de Grant Morrison analisadas para esta pesquisa, evidenciando sua riqueza temática e complexidade (Quadro 1).

 

AUTOR ANO RESUMO
Tim Bavlnka 2013 Explora a relação entre a prática xamânica de Grant Morrison, suas crenças mágicas e o impacto em sua obra, particularmente na representação do Coringa por Heath Ledger.
Timothy Bavlnka 2011 Analisa como Grant Morrison utiliza magia e a participação do leitor em seus quadrinhos para criar narrativas que transcendem a ficção.
Abigail Bilby 2018 Analisa a recorrência do tema da batalha entre ordem e caos nas obras de Grant Morrison, especialmente em Arkham Asylum, relacionando-o com a dicotomia religião/loucura.
Cyril Besson 2015 Examina como Grant Morrison usa a figura da vanguarda Dada em Doom Patrol para expressar sua visão de um caos significativo.
Roy T. Cook 2015 Analisa a complexa relação entre criador e personagem em Suicide Squad #58, contestando a visão de Morrison sobre a “morte do autor”.
David Coughlan 2015 Analisa The Filth, explorando temas de abjeção e vergonha e como a narrativa confronta noções de pureza e sujeira.
Grégori Michel Czizeweski 2016 Explora a centralidade do conceito de invisibilidade em Os Invisíveis, tanto em seu aspecto formal quanto simbólico.
Grégori Michel Czizeweski 2016 Examina formas de pensamento e vivências do final do século XX, relacionando-as com a HQ Os Invisíveis.
Jochen Ecke 2018 Analisa a influência de escritores britânicos, incluindo Grant Morrison, na evolução do estilo dos quadrinhos americanos.
Amadeo Gandolfo 2016 Analisa “Multiversity” como uma reflexão crítica sobre o gênero de super-heróis e a indústria dos quadrinhos.
Nicholas Galante 2015 Analisa como Morrison utiliza temas míticos e religiosos para retratar Batman como uma figura cíclica de morte e renascimento.
Fábio Ortiz Goulart 2024 Examina as representações de masculinidade em New X-Men, com foco na masculinidade militar e traumática de Ciclope.
Fábio Ortiz Goulart 2023 Propõe uma análise das masculinidades de Ciclope, Wolverine e Bico em New X-Men.
Darragh Greene 2015 Analisa All-Star Superman sob uma perspectiva junguiana, abordando temas de transformação, individuação e símbolos arquetípicos.
Darragh Greene e Kate Roddy 2015 Apresenta Grant Morrison como um dos escritores mais influentes dos quadrinhos contemporâneos, destacando sua reinvenção do super-herói.
Martin Holub 2011 Examina e analisa elementos pós-modernistas na obra de Alan Moore e Grant Morrison.
Owa Hughes 2023 Argumenta que Batman reflete a leitura paranóica, enquanto Os Invisíveis representa uma crítica à necessidade de controle e conhecimento absoluto.
Tancredi Marrone 2019 Analisa a experiência visionária de Grant Morrison em Katmandu e sua influência na criação de Os Invisíveis.
Oliver Moisich 2021 Discute os dispositivos narrativos pós-modernos de Morrison em Flex Mentallo.
Chris Murray 2013 Transcrição de uma entrevista com Grant Morrison sobre sua carreira e influências.
Chris Murray 2015 Explora as estratégias narrativas imersivas e recursivas em Morrison, destacando a imersão do leitor e o uso de estruturas cíclicas.
Chris Murray 2013 Examina o liberalismo na obra de Grant Morrison, utilizando as ideias de Isaiah Berlin sobre liberdade.
Emmet O’Cuana 2015 Explora como Morrison transforma super-heróis em ícones corporativos e usa o conceito de “capitalismo benevolente” para mudar a sociedade em suas narrativas.
Francisco J. Ortiz 2012 Analisa a presença da metaficção nos quadrinhos, desde seus primórdios até autores contemporâneos, com foco na obra Animal Man.
Francisco J. Ortiz 2012 Analisa a presença da metaficção nos quadrinhos, desde seus primórdios até autores contemporâneos, com foco em Animal Man de Grant Morrison.
Attila de Oliveira Piovesan 2020 Investiga a apropriação da figura do Marquês de Sade em Os Invisíveis e sua relação com outros temas da obra.
Attila Piovesan 2017 Analisa Os Invisíveis à luz dos conceitos de “presentismo” e “imaginário catastrófico”.
Clare Pitkethly 2015 Explora como as HQs de Morrison destacam a natureza invasiva da linguagem.
David Press 2012 Analisa a influência do filósofo renascentista Giovanni Pico della Mirandola na obra de Grant Morrison, especialmente em All-Star Superman.
Felipe Raul Rachelle 2019 Analisa Batman: Asilo Arkham como uma obra que dialoga com temas como loucura, enclausuramento e elementos da arte clássica.
Mario Ramos Vera 2020 Aborda as propostas de Morrison sobre a relação entre pensamento e linguagem, e como ele usa a filosofia da linguagem para explorar questões ontológicas.
Julie Rivera 2018 Analisa o uso de elementos da escatologia cristã em Final Crisis, explorando o poder da narrativa apocalíptica.
Gustavo Riva e Mariano Vilar 2011 Aborda como Grant Morrison utiliza a complexidade narrativa em suas histórias de Batman para explorar conceitos hermenêuticos.
Kate Roddy 2015 Explora a obra de Morrison, destacando o uso de metaficção e multiverso para redefinir a narrativa de super-heróis.
Kate Roddy 2015 Analisa o uso de “bathos” na narrativa de Morrison, especialmente em Animal Man, Doom Patrol e Seven Soldiers of Victory.
Kate Roddy 2015 Analisa como Morrison critica a indústria do entretenimento ocidental em obras como The Filth e Flex Mentallo.
Julia Round 2018 Analisa Arkham Asylum como uma obra gótica que explora temas de identidade fragmentada e dualidade.
Marc Singer 2012 Examina como Morrison combina diferentes gêneros e estilos para abordar desafios políticos, estéticos e intelectuais.
Keith Scott 2015 Analisa como Morrison mistura sua vida pessoal e profissional para criar narrativas onde a linha entre ficção e realidade se torna tênue.
Keith Scott 2014 Examina a obra de Morrison e como ele insere sua própria presença em suas criações, fundindo vida e arte.
João Senna Teixeira 2018 Analisa a continuidade narrativa na passagem de Morrison pelo Batman, focando na construção do cânone.
Kwasu Tembo 2020 Examina o tratamento e a caracterização de mulheres em quadrinhos menos conhecidos de Alan Moore, Neil Gaiman e Grant Morrison.
Vik Verplanken 2017 Analisa a influência do Budismo em The Invisibles, argumentando que a desconstrução da dualidade eu/outro é central na filosofia de Morrison.
Mark P. Williams 2010 Analisa a política radical de esquerda na escrita fantástica de autores como Michael Moorcock, Angela Carter, Alan Moore, Grant Morrison e China Miéville.
James F. Wurtz 2011 Examina o uso do espaço físico, mental e estrutural em Arkham Asylum: A Serious House on Serious Earth.

                                                                                                                         

Quadro 1: resumo de autores que investigaram a produção de Grant Morrison. Fonte: produção autoral.

 

Dentre todas as abordagens, no entanto, o conceito dos quadrinhos de Morrison que talvez mais se conecte ao rizoma deleuze-guattariano é o de multiverso. Em consonância à proposta de uma cartografia para a pesquisa em sua obra, Morrison chega mesmo a elaborar um mapa para o multiverso da editora DC Comics (Figura 2).

O conceito de multiverso permeia todos os cinco platôs da pesquisa em Grant Morrison. Isso pode ser visto nos textos de Amadeo Gandolfo (2016) e  Kate Roddy (2018). Mas é especialmente a tese de Lizbeth Cabrera Torrecilla (2017) que discute o multiverso em Morrison, a partir da intertextualidade com as obras de Jorge Luis Borges e Yasutaka Tsutsui.

Figura 2. O mapa do multiverso DC Comics, segundo Grant Morrison. Fonte: MORISSON, 2015, p. 23.
Figura 2. O mapa do multiverso DC Comics, segundo Grant Morrison. Fonte: MORISSON, 2015, p. 23.

 

CONCLUSÃO

A cartografia da pesquisa acadêmica sobre Grant Morrison revela um campo rizomático, onde múltiplas conexões e linhas de fuga desafiam as fronteiras do pensamento arborescente. Este trabalho mapeou cinco platôs principais – linguagem e realidade, desconstrução do super-herói, gnose e espiritualidade pós-moderna, magia do caos e subversão da realidade, e metatextualidade e intertextualidade – destacando as interconexões que tornam a obra de Morrison uma máquina abstrata em constante transformação.

Ao longo do artigo, evidenciou-se como os estudos sobre Morrison utilizam ferramentas teóricas diversas. Fazendo uso dos conceitos deleuze-guattarianos de rizoma e mapa, pode-se ver como análises filosóficas e culturais exploram a profundidade e a multiplicidade de suas narrativas. A obra de Morrison emerge como um espaço de experimentação, onde o leitor é convidado a transitar por significados fragmentados e reinterpretar os limites entre ficção e realidade.

No entanto, a própria natureza rizomática da obra de Morrison e da pesquisa sobre ela sugere que este mapeamento está longe de ser exaustivo. Como Deleuze e Guattari apontam, os mapas são desmontáveis e reversíveis, permitindo a inclusão de novas conexões e a exploração de territórios inexplorados. Assim, o trabalho realizado aqui serve como uma plataforma para futuras investigações, apontando possibilidades de pesquisa que podem expandir e reconfigurar este rizoma.

Entre as rotas de fuga possíveis, destaca-se o aprofundamento das análises sobre as relações entre magia do caos e construção de identidade na obra de Morrison, especialmente no contexto de personagens como Flex Mentallo e Os Invisíveis. Além disso, a conexão entre metatextualidade e crítica ao mercado editorial permanece como uma zona de intensidade pouco explorada, mas repleta de potencial crítico.

Outra linha de investigação promissora reside na análise comparativa da obra de Morrison com a de outros autores contemporâneos que também desafiam convenções narrativas, como Alan Moore e Neil Gaiman, traçando paralelos e contrastes que possam iluminar diferentes abordagens à subversão do gênero dos quadrinhos. Por fim, a intertextualidade visual e a relação entre biografia e obra podem ser exploradas como um campo fértil para novas leituras, abrindo caminhos para investigações que considerem a materialidade dos quadrinhos como meio de expressão.

Como forma de visualizar os platôs da cartografia de Grant Morrison, este trabalho traz em anexo um padlet com imagens dos quadrinhos do escritor escocês que refletem, de alguma forma, o próprio rizoma da pesquisa (Figura 3).

 

Figura 3. QR Code do padlet sobre a cartografia da pesquisa em Morrison.
Figura 3. QR Code do padlet sobre a cartografia da pesquisa em Morrison.

 

Assim, a pesquisa sobre Grant Morrison continua a se expandir como um rizoma vivo, cujas conexões e platôs desafiam as estruturas hierárquicas do pensamento tradicional, convidando pesquisadores a explorar novas direções e construir mapas sempre em movimento.

 

REFERÊNCIAS 

BAVLNKA, Tim. The Joke’s On Him: Shamanism, Literary Magic, and the Textualization of Grant Morrison, Heath Ledger, and The Joker. Intensities: The Journal of Cult Media, p. 111-133, 2013.

BAVLNKA, Timothy. Superheroes and Shamanism: Magic and Participation in the Comics of Grant Morrison. Dissertação. Bowling Green State University, 2011.

BESSON, Cyril. Aesthetics fiction? Comics, avant-gardes visuelles et genre dans Doom Patrol de Grant Morrison. Revue d’études sur la science-fiction, v. 5, p. 1-43, 2015.

BILBY, Abigail. Chaos and Order in the Works of Grant Morrison. Pop Culture and Theology, 2018. Disponível em: https://popularcultureandtheology.com/2018/07/16/chaos-and-order-in-the-works-of-grant-morrison/.

CALLAHAN, Timothy. Grant Morrison: The early years. Edwardsville: Sequart Research & Literary Organization, 2012.

CAZELLI, Felipe Ribeiro. Mito, histórias em quadrinhos e experiência do sagrado / uma análise fenomenológica do religioso na obra de Grant Morrison. Dissertação. Faculdade Unida de Vitória, 2019.

CZIZEWESKI, Grégori Michel. A invisibilidade ou o vazio como presença: Os Invisíveis de Grant Morrison. In: KNAUSS, Paulo; MALTA, Marize (Org.). Outros objetos do olhar: história e arte. Niterói: Labhoi, p. 37-53, 2016a.

CZIZEWESKI, Grégori Michel. É apenas um jogo: Pensamento, condição humana e pós-modernidade no final do século XX na história em quadrinhos Os Invisíveis, de Grant Morrison. Tese. UFSC, 2016b.

DELEUZE, Gilles, GUATTARI, Félix Guattari. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia, vol. 1. Trad. Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995a.

                                                                                        . Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia, vol. 2. Trad. Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995b.

ECKE, Jochen. The British comic book invasion: Alan Moore, Warren Ellis, Grant Morrison and the evolution of the American style. Jefferson, North Carolina: McFarland & Company, 2019.

GANDOLFO, Amadeo. La comedia (sobre)humana: Grant Morrison y Multiversity. IX Jornadas de Sociología de la Universidad Nacional de La Plata (UNLP), p. 1-20, 2016.

GOULART, Fábio Ortiz. Entre crises e heroísmo: a masculinidade militar de Ciclope em New X-Men (2001-2004) de Grant Morrison. In: LOPES FILHO, Artur, KRÜGER, Felipe Radünz e MARCELLO NETO, Mario. Grant Morrison e a História. Porto Alegre: Dokan, p. 131-146, 2024.

GOULART, Fábio Ortiz. Supermachos: as masculinidades em New X-Men (2001-2004) de Grant Morrison. Dissertação. Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2023.

GREENE, Darragh; RODDY, Kate (Eds.). Grant Morrison and the superhero renaissance: critical essays. Jefferson: McFarland & Company, 2015.

HERNÁNDEZ, Francisco Javier Ortiz. La maduresa de l’autoconsciència. De Winsor McCay a Grant Morrison: variacions del metacòmic. Ítaca: Revista de Filología, N. 3, p. 185-222, 2012.

HUGHES, Owa. The Blank Badge and the Batsymbol: Modes of Reading in the Comics of Grant Morrison. Monografia. Bard College, New York, 2023.

HOLUB, Martin. Postmodernism in British and American Comics: Postmodernist overtones in the works of Alan Moore and Grant Morrison. 2011. Monografia. Charles University in Prague, Praga, 2011.

LUCAS, Emmanuel Román Espinosa. Entre cazadores de ángeles y mascotas soldado: La novela gráfica a partir del análisis comparativo de Operación Bolívar de Edgar Clement y We3 de Grant Morrison y Frank Quitely. Tese. Universidad Autónoma del Estado de Hidalgo, 2017.

MANEA, Dragoș. Reframing the Perpetrator in Contemporary Comics: On the Importance of the Strange. London: Palgrave Macmillan, 2022.

MOISICH, Oliver. Grant Morrison: Flex Mentallo. In DOMSCH, Sebastian, HASSLER-FOREST, Dan e VANDERBEKE, Dirk (Eds.). Handbook of Comics and Graphic Narratives. Berlin/Boston: De Gruyter, p. 601-618, 2021.

MORRISON, Grant. Homem-Animal: Omnibus. Arte: Chaz Truog, Doug Hazlewood, Tom Grummet et al. Tradução: Érico Assis. Barueri: Panini Brasil, 2021.

                                         . The Multiversity Guidebook. Arte: Marcus To, Scott McDaniel e Paulo Siqueira. Burbank: DC Comics, 2015.

MURRAY, Chris. Invisible symmetries: Superheroes, Grant Morrison and Isaiah Berlin’s two concepts of liberty. Studies in Comics, v. 4, n. 2, p. 277–306, 2013.

ÓRTIZ, Francisco J. La madurez de la autoconciencia: de Winsor McCay a Grant Morrison: variaciones del metacómic. Ítaca. Revista de Filología, n. 3, 2013. Disponível em: <https://revista.tebeosfera.com/documentos/la_madurez_de_la_autoconciencia._de_winsor_mccay_a_grant_morrison_variaciones_del_metacomic.html>.

PIOVESAN, Attila. Escatologia e presentismo em Os Invisíveis de Grant Morrison. Darandina, v. 10. n. 2, p. 1-19, 2019.

PIOVESAN, Attila de Oliveira. Et in Arcadia Ego: Marquês de Sade e a construção da utopia em Os Invisíveis de Grant Morrison. Tese. Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2020.

PRESS, David. All-Star Grant Morrison: Giovanni Pico della Mirandola and Twenty-first Century Comic Books. Dissertação. Brooklyn College, 2012.

RACHELLE, Felipe Raul. O asilo e a loucura como representações em Batman: asilo Arkham e o sério mundo de Grant Morrison. Dissertação. Universidade Estadual do Centro-Oeste, Irati, PR, 2019.

RIVA, Gustavo; VILAR, Mariano. Hermenéutica y apophenia: el Batman de Grant Morrison y el delineado del Círculo Hermenéutico. Revista Luthor, n. 6, v. 2, p. 1-9, 2011.

RIVERA, Julie. Grant Morrison, Final Crisis, and the Power of Apocalyptic Storytelling. Pop Culture and Theology, 2018. Disponível em: https://popularcultureandtheology.com/2018/06/25/grant-morrison-final-crisis-and-the-power-of-apocalyptic-storytelling/.

RODDY, Kate. Eternal Superteens and Mutant Spermatozoa: Grant Morrison and the Comic as Porneau. ImageText, v. 8, n. 2, 2015. Disponível em: https://imagetextjournal.com/eternal-superteens-and-mutant-spermatozoa-grant-morrison-and-the-comic-as-porneau/.

RODDY, Kate. ‘It’s a Trap! Don’t Turn the Page’: Metafiction and the Multiverse in the Comics of Grant Morrison. In: MURPHY, Bernice M. e MATTERSON, Stephen (Eds.). Twenty-First-Century Popular Fiction. Edinburgh: Edinburgh University Press, p. 88-100, 2018.

ROUND, Julia. Gothic and Comics Arkham Asylum: A Haunted House on a Haunted Page. In: BACON, Simone (Ed.). The Gothic: A Reader. Oxford: Peter Lang, p. 161-168, 2018.

SCOTT, Keith. No Guru, No Method, No Teacher: “Grant Morrison” and GrantMorrison™. ImageText, v. 8, n. 2, 2014. Disponível em: https://dora.dmu.ac.uk/server/api/core/bitstreams/3703ed11-443e-4d03-924c-363efa45bff4/content.

SINGER, Marc. Grant Morrison: combining the worlds of contemporary comics. Jackson: University Press of Mississippi, 2012.

TEIXEIRA, João Senna. Batman e Robin nunca morrerão: a construção do cânone e da continuidade na passagem de Grant Morrison pelo Batman. Dissertação. Universidade Federal da Bahia, 2014.

TEMBO, Kwasu. Sons of Lilith: The Portrayal and Characterization of Women in the Apocryphal Comics of Neil Gaiman, Alan Moore, and Grant Morrison. Corpus Mundi, v. 1, n. 2, p. 88-121, 2020.

TORRECILLA, Lizbeth Angélica Cabrera. El multiverso, icono del diálogo transdisciplinario: una aproximación en las obras de Jorge Luis Borges, Yasutaka Tsutsui y Grant Morrison. Tese. Universitat Autònoma de Barcelona, 2017.

VERA, Mario Ramos. Más que superhéroes: filosofía del lenguaje, perennialismo y los cimientos de la realidad en Grant Morrison. CuCo, Cuadernos de cómic, n.º 15, p. 52-70, 2020.

VERKPLANKEN, Vik. Buddhism and Grant Morrison: on the nature of self and other in The Invisibles. Dissertação. Universiteit Gent, 2017.

WILLIAMS, Mark P. Radical Fantasy: A Study of Left Radical Politics in the Fantasy Writing of Michael Moorcock, Angela Carter, Alan Moore, Grant Morrison and China Miéville. Tese. University of East Anglia, 2010.

WURZ, James F. “Out there in the Asylum”: Physical, Mental, and Structural Space in Grant Morrison and Dave McKean’s “Arkham Asylum: A Serious House on Serious Earth”. Amerikastudien, Vol. 56, No. 4, p. 555-571, 2011.

ZANI, Steven. It‘s a Jungle in Here: Animal Man, Continuity Issues, and the Authorial Death Drive. In ALIANIS, Angela (Ed.). The contemporary comic book superhero. New York: Routledge, p. 233-249, 2009.

 

Christian D. S. Bitencourt é mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e doutorando em Educação, Arte e História da Cultura pela mesma instituição. Pesquisador da relação entre religião e histórias em quadrinhos.

Scroll to top