Chico Science
Você pode gostar ou não do Chico Science. Mas tem de saber que ele coloca uma pergunta interessante: quem é o fracote? Ao juntar maracatu e rock (e ciranda e coco e funk e hip-hop), ele não teve medo.
O medo, por exemplo, de Ariano Suassuna, seu conterrâneo, para quem Chico deveria se chamar Ciência, e desistir de vez de chegar perto do grande horror, o diabo em pessoa, a influência estrangeira.
Não foi o que Chico fez. Fez o contrário. O grande horror, o diabo em pessoa, parece dizer ele, é o tambor do maracatu – e o ritmo estrangeiro que se proteja dessa influência desagregadora, capaz mesmo de modificá-lo irremediavelmente. Modificar o rock, o hip hop. Não o contrário. Ou pelo menos, está bem, em partes iguais, ambos se modificando mutuamente e sem parar.
Parar. A ocupação Chico Science do Itaú Cultural acertou ao pôr o velho Ford do artista na abertura. E fazer desse veÃculo o suporte para a principal atração, um documentário com depoimentos e shows de Chico Science e das bandas a quem influenciou. É isso mesmo. A ideia é que o hibridismo não para.
Pois se não tem começo, como haverá de ter fim.
Maracatu, por exemplo, são dois. Um é o de nação, outro é o rural. O primeiro vem da mistura de várias tradições afro-brasileiras (pois é, meu branquelo leitor, a Ãfrica não é uma coisa só) misturadas com o portuga arabizado que aportou por aqui. O segundo tem tudo isso e mais uns chocalhos bem indÃgenas.
Quer dizer, esquece começo.
Ah, e tem mais, alguns instrumentos, como a alfaia, trazem um caráter nitidamente religioso (não me pergunte qual religião porque aà complica ainda mais). O instrumento precisa passar por um ritual de sagração antes de ser usado, e alguns toques só podem ser dados por quem de direito.
E agora vamos à s músicas. Umas são muito claras: falam do hÃbrido, do mestiço. Outras, as melhores, são isso, em vez de falar disso. Por exemplo:
Peguei o balaio, fui na feira roubar tomate e cebola.
Ia passando uma véia e pegou minha cenoura.
Ai minha véia, deixa a cenoura aqui.
Nada mais caipiramente maroto. Só que acompanhado de guitarra elétrica. E com aquela gravação distorcida, tÃpica do reggae jamaicano. Fica uma coisa assim meio de hoje e daqui, com vários ontens, todos aparentes. O inÃcio do grupo Nação Zumbi foi um encontro com o Lamento Negro, uns músicos de comunidade carente da periferia de Recife. Esse foi o principal “ontem”. E não sumiu.
Na época (anos 1990) falou-se também em herança Tropicalista. Mas o Tropicalismo tinha uma aderência à indústria de massa e o Mangue aderia à s pernas das pessoas. Usava a indústria e seus canais de divulgação, mas sempre com um “não” embutido. Por exemplo, não era bonitinho. Mas o Tropicalismo também está lá.
HÃbrido, segundo Herom Vargas, doutor em semiótica da PUC-SP e autor de tese sobre Chico Science, é o que vai incorporando o que pinta sem anular os estágios anteriores. Não para para fazer sÃntese. Segue em frente.
Café Espacial
Recebi a revista Café Espacial números 4 e 5 junto com o informativo Quarto Mundo número 3. As duas publicações formam uma combinação interessante, quase um diálogo proposital.
A Café Espacial é uma publicação de quadrinhos, arte, ilustração, literatura, fotografia e, acredito, qualquer coisa desde que ousada e interessante o suficiente.
O conto Contramão do Sergio Chaves, por exemplo, nos mostra que apesar dos blockbusters atuais, o fim do mundo pode sim ser um tema interessante. A revista ainda tem uma seção com resenhas musicais que, de uma vez só, conseguiu fomentar a minha curiosidade para conhecer umas 10 bandas das quais nunca tinha ouvido falar (culpa minha, sem dúvida).
Dos quadrinhos, o que mais gostei foi o F for Knife, de Biu e Shiko. “Entre sua janela e a do quinto andar ocorreu-lhe que Hulks são de Marte e Smurfs são de Vênus†é daquelas frases para virar tagline ou, um sendo pouco mais atual, um twitt. HQs, aliás, são o grande forte da revista. Propostas inteligentes e traços fantásticos.
Para não dizer que não falei de espinhos, achei as resenhas de cinema jornalÃsticas demais, muito didáticas. Acabam conflitando com o resto da revista. Não que tenha algo de errado em ser didático, apenas não me pareceu fazer parte da linguagem da publicação.
O informativo Quarto Mundo, também muito voltado para HQs, tem no número 3 uma que mistura fotografia com traço. É uma proposta interessante e um exercÃcio importante de linguagem mas confesso que me causou a mesma estranheza que senti quando vi Waking Life, uma animação que usa a técnica de rotoscopia, ou seja, desenhada em cima de uma referência filmada.
A Café Espacial número 5 traz o ensaio O olhar cansado, de Luc de Sampaio, sobre o qual comento no podcast em que entrevistei o fotógrafo, de quem sou grande fã.
A Kind of Bossa, de Rodrigo del Arc
De vez em quando me vem em mente uma noite de Natal com a famÃlia na mesa, uma garrafa de vinho vazia e a outra pela metade, todo mundo papeando naquele clima de final de festa em que os assuntos mudam numa piscada. Eu não me lembro do contexto da conversa em que meu tio comentou que “os CDs hoje em dia só tem duas músicas boas e o resto não prestaâ€. Isso no final da década de noventa. Nossos gostos musicais eram bem diferentes e, consequentemente, a qualidade do que ouvÃamos, mas não pude deixar de dar certa razão. Alguns artistas pareciam preparar duas ou três músicas para tocar na rádio e encher o CD com o que sobrou do tempo de aluguel do estúdio. Se você olhar para a sua coleção na estante certamente vai achar um par de exemplos assim. Isso se ainda não tiver transformado as boas em mp3 e vendido os CDs no sebo.
Hoje com o mercado de músicas digitais, a situação tinha tudo para caminhar nessa direção que não sei se é a melhor escolha, então fico feliz de perceber que, pelo contrário, o pessoal tem se esforçado para entregar um cd redondo aos fãs, com várias músicas com potencial para tocar na rádio, mas sem cair na pasteurização.
Esse é o caso de A Kind of Bossa, do Rodrigo del Arc, mais um nome da nova geração da música brasileira que conheci através da minha irmã. O Rodrigo flerta com a sonoridade brasileira da bossa e do samba, acrescentando seu flavor pessoal à s composições. Pensei em usar aqui o clichê do “olhar para o passado tendo um pé no futuroâ€, mas parando para pensar, ninguém diz que o rock está velho, que o rap está velho, que o pop está velho, então não quero prender a bossa nessa amarra temporal, ainda mais resenhando um CD que aposta na contemporaneidade.
Slip to precision é um sambinha de percussão bem trabalhada que poderia estar em um cd da Roberta Sá. Gosto porque foi feita para seguir num crescente até o clÃmax e é uma boa apresentação do CD. Estou curioso para ouvi-la ao vivo. Sometimes me lembra muito dos áureos tempos do George Michael, uma das minhas prediletas. Se em Slip to precision Rodrigo del Arc usa o fraseado sÃlaba a sÃlaba para destacar o ritmo, em Sometimes as palavras são pronunciadas mais lentamente, permitindo que ele explore ao máximo a sua voz, casando direitinho com a melancolia da letra. Essa melancolia também vale uma escutada em Under the sea, a mais atmosférica do cd. A letra traz uma alegoria de despedidas e solidão muito bem sacada, com direito a um “whatever†no final no maior clima de “apesar disso tudo, dane-seâ€. Ironia poética. “Some time ago we used to say, and you said it will last forever, But forever had an end†The question song ganhou videoclipe, toca na rádio e você consegue em download gratuito no myspace do cantor. É letra de fim de relacionamento, cheia de perguntas jogadas ao ar. “Why did you fake, why did you take that from me and then brake all the rules?†Apesar de ser a canção de trabalho, gosto só do final estilo Jorge Ben. Prefiro a levada de Trip, que me remete a surf music, um clima de praia, de viajar por aà caindo na estrada que me deixa saudosista. “Posh Motels, fancy cars / A blue bird stroke in my guitar / While everyone keeps knocking on my door.†Pena que acabe tão rápido. Para fechar, uma que não poderia faltar nessa lista resumida é A place to remind, um dos grandes acertos do CD. Tem um quê de ritmos nordestinos (não, o resenhista não está louco. Escuta lá com atenção) e um instrumental que vale ouvir uma segunda, terceira, quarta vez.
Intimista sem ser reducionista.
“We are the newest vision, we are a brand new start
We are the deepest secret lost in mysterious heart
We are a single phrase, we are that same old song,
We are what we fight for, for right or wrong.
We are under the sun, we shine inside the light
We are the darkest night, the quietness of the stars,
We are our own deception, we are what we believe,
We are the one who’s thinking, we’ll go where we want†– A place to remind.
Jay Vaquer – Alive in Brazil
Me lembro até hoje de ver o clipe de A Miragem na MTV quando lá ainda passavam videoclipes e não programas de humor de baixo orçamento e me perguntar quem era esse cara. Eu ainda moleque, devia ter por volta de 20 anos, pensava cá comigo se ainda veria mais algum trabalho dele pela frente. É engraçado olhar para trás e perceber que não era tão simples ter as informações na mão, com uma clicada no Google (ou era fácil e o problema era meu?), e por esse vácuo informativo, Jay Vaquer foi por muito tempo o cara que cantava A Miragem e Aponta de um iceberg e só, imortalizado em mp3s que consegui nos primórdios da era dos downloads, depois de muito procurar.
Queria ter datas mais precisas na cabeça, mas raciocino de modo atemporal e meus marcadores são outros, pequenas lembranças e contextos. Foi numa dessas que o nome Jay Vaquer voltou aos meus ouvidos. Uma pessoa muito querida virou para mim, jornal na mão, e falou “olha, não é aquele cantor que você curte?†E eu pensando, claro que não, depois de tantos anos, só pode ser outra pessoa. Mas era ele. Dei uma volta rápida pelo shopping para comprar o Vendo a Mim Mesmo, seu segundo cd, com porcos de headfone e o Jay cheio de fios vermelhos na capa. Achei de quebra o Nem Tão São e aquele cara do clipe e da mp3 passou a ser um artista contextualizado na minha estante de CDs. Meu micro system estava quebrado, eu sem grana para pensar no conserto, então colocava para tocar num discman ligado às caixas de som. E foi assim que curti o recomeço, o clipe louco de Pode Agradecer rolando na MTV para lembrar que ele ainda estava na área, anunciado pelo alterego Applewhite. Talvez seja o cd dele que mais tenha escutado. Sou péssimo para decorar letras, mas sou bom de improviso, e era no improviso que cantarolava Assim de repente, Abismo e Aquela música, essa última na minha lista de clássicos particulares.
Foi nessa época também que minha irmã passou a ouvir Jay Vaquer para valer. Sempre tive a música como um intercâmbio. Não digo só da energia que se sente em shows, mas do prazer de apresentar a alguém o que se gosta e se permitir gostar de novidades que cheguem até você. Quando isso se dá com alguém próximo o prazer é dobrado. Pela diferença de idade entre nós dois, tÃnhamos gostos distintos e, ao mesmo tempo, cheios de pontos em comum. Eu apresentando The Smiths, The Cure, The Police, Depeche Mode, um vÃnculo com o passado ainda presente, e ela me mantendo em contato com o boom da música pop adolescente, com sons de pegada mais rock como o Garbage, e hoje com toda uma nova geração da música brasileira.
Como o Jay se tornou um dos pontos de convergência, era agora ela quem me mantinha informado. E foi por ela que soube que ele tinha assinado contrato com a EMI e que iria lançar o terceiro CD: Você não me conhece. Cotidiano de um casal feliz gerou um clipe, tocou nas rádios. Mais uma música de letra bem sacada e outra recordação. Depois veio A falta que a falta faz, que a galerinha costuma acompanhar do inÃcio ao fim nos shows. Como o mundo gira rápido, nessa época eu já tinha uma vida bem diferente daquela lá de trás, tinha lançado dois livros, me formado na escola de cinema e me distanciava de vez da vida de farmacêutico bioquÃmico. O Aguarrás estava começando e, além de escrever sobre cinema e literatura, resolvi me arriscar nos textos de música, só precisava escolher as cobaias. Escolhi meus cantores italianos preferidos, uns pingados do momento e o Você não me conhece. O texto ficou ruim, mas tão ruim que foi vetado. Repensei o modelo e escrevi um texto curto, dez linhas de Word com um trecho de letra e só, e foi assim que falei de música por um tempo. Me lembro também dele comentar as resenhas que saÃam com um “só falam das letras, mas e as melodias?†E era verdade. Eu fui um desses. Talvez por ser escritor, me divertia com elas sem pudor, mesmo que na música o todo sempre fale mais alto que as partes.
Mais um pouco e finalmente vi o cara ao vivo, com a Cássia (minha irmã) e o David (a pessoa querida mencionada lá em cima), fechando um ciclo e começando outro. Foi um show no Teatro Odisséia, uma casa na Lapa, no Rio de Janeiro, num palco apertado que contrariava as leis da fÃsica e me deixava angustiado pelos grupos que ali se apresentavam. Mas valeu a pena. Minha irmã voltou no seguinte e eu no seguinte com ela. É interessante comparar a identidade de um artista ao vivo com o som produzido no CD. Tem gente que ganha, tem gente que perde. Tem gente que esbanja, tem gente que minimaliza. Foi naquele show bem intimista que me toquei de como esse cara cantava para valer.
Um ano depois, veio o Formidável Mundo Cão. Minha irmã havia assumido o posto de fã oficial e eu ficava ali orbitando, aproveitando a música dos CDS e as histórias que ela me contava. Infelizmente, dessa vez não teve videoclipe. O mundo que gira rápido gira assim para todo mundo. Mas teve ótimas canções como Longe Aqui, Estrela de um Céu Nublado e Preciso Poder, com as letras bem sacadas, às vezes irônicas, que então já eram marca registrada. Foi esse cd que originou o primeiro DVD ao vivo, Alive in Brazil, contribuindo com um terço do set list.
E aquele cara do show do Odisséia agora voa em correntes, canta em plataformas móveis (não os saltos, por favor) e usa projeções no telão, sendo a última delas impagável, dialogando com a letra e brincando com os músicos que acompanham o cantor. Não é que os elementos cênicos falem mais alto do que a música, eles se complementam de forma harmoniosa, como deve ser. No mercado internacional, mau gosto à parte, todo mundo sabe disso, aqui dentro uma meia dúzia. Olhando de fora, dimensionando por meus próprios sufocos, só posso imaginar o trabalho ($) que é erguer um show assim. Mas não vou cair no debate financeiro. O que quero observar aqui é a existência de um artista que sabe que concepção é mais do que escolher o set list e pôde, enfim, mostrar isso para valer na prática, com direito ao registro em DVD. Eu que não vi a gravação fiquei surpreso com a edição, com os novos arranjos e com esse visual bem pensado.
Se você já curte Jay Vaquer, o DVD é diversão garantida. Se não conhece, esse é um bom lugar para começar. Pela alegria dos rostos na platéia, acho que a maioria concorda comigo.
O Bem do Mar
Estreou no Teatro do Leblon, sala Fernanda Montenegro, Rio de Janeiro, neste último dia 15, o musical “O Bem do Marâ€, com direção de Antonio De Bonis. São 14 atores em cena e 7 músicos interpretando 68 músicas de Dorival Caymmi.
Em “O Bem do Marâ€, procura-se levar ao palco elementos das letras de Caymmi, compondo cenas tipicamente baianas e mostrando com competência a cultura brasileira cantada por Dorival, em que o cotidiano servia de inspiração para as suas composições, retratando tudo com simplicidade e talento bem peculiares.
São 120 minutos de espetáculo, com 10 minutos de intervalo. Ao que deram a denominação de Bloco I – Lembranças, se comparado aos demais blocos, não é muito convidativo. Porém, nas outras partes (Bloco II – Copacabana By Night, Anos 50 e Bloco III – Histórias de Pescadores), o espetáculo melhora consideravelmente.
As músicas, muitas vezes compondo um pout-pourri, são bem interpretadas, a movimentação no palco também é interessante e, tranqüilamente, nos transportam para a Bahia de Dorival Caymmi. Destaco o bom jogo de luzes e os probleminhas no áudio, que, provavelmente, serão corrigidos para as próximas apresentações.
Os atores cantam e dançam bem. Algumas vozes, inclusive, são graciosas e há partes muito boas do musical que, com certeza, se destacam. De modo geral, não é um espetáculo impecável, mas realiza bem a proposta. Â
Bom. Um bom espetáculo. Tudo dentro do esperado, mas nada de surpreendente.
Músicas: Dorival Caymmi                                Â
Concepção e Direção: Antonio De Bonis
Roteiro: Antonio De Bonis e Douglas Dwight
Direção Musical e Arranjos Vocais: Ricardo RenteÂ
Elenco: Ana Velloso; Dandara Mariana; Daúde; Dério Chagas; Fábio Ventura; Fael Mondego; Flavia Santana; Gabriel Tavares; Izabella Bicalho; Lilian Valeska; Marcelo Capobiango; Marcelo Vianna; PatrÃcia Costa e Thiago Thomé.Â
Músicos: Alfredo Machado, violão; Rodrigo Villa, contrabaixo; Fernando Pereira, bateria; Firmino, percussão; Flávia Chagas, violoncelo; Luiz Flavio Alcofra, violão e Ricardo Rente, sopros.
Temporada: até 20 de dezembro.
Alicia de Larrocha (nota)
Faleceu dia 26/09/2009 uma das maiores artistas de todos os tempos, Alicia de Larrocha, sobre quem já escrevi aqui.
Alicia foi uma das maiores artistas do século XX e começo do século XIX, seu repertório se entendia desde Scarlatti até Rachmaninov, embora sua mãozinha não se estendesse por mais do que uma oitava. Dona de um timbre único e inconfundÃvel, agudos brilhantes e baixos poderosos, Alicia tinha pleno domÃnio do instrumento e uma personalidade musical que, embora fosse inventiva e rica, nunca perdia o senso de estilo ou a diferenciação das escolas estéticas. Scarlatti é Scarlatti, Mozart é Mozart, Chopin é Chopin e Rachmaninov é Rachmaninov.

- Arrau, Horowitz & de Larrocha
Ao mesmo tempo era uma pessoa humilde, discreta e amável. Em uma entrevista de 1995, o repórter do New York Times conta que ela abafou o piano para não incomodar os vizinhos:
Não há palavras para expressar essa perda. Tudo o que podemos é ouvir e nos maravilhar com o imenso legado que a Alicia nos deixou.
Entrevista com Tiago Iorc
01. Para quem ainda não conhece Tiago Iorc, por qual música(s) você sugeriria começar? Que música(s) do Let Yourself In passa(m) melhor o recado?
‘No One There’ e ‘When All Hope is Gone’ são minhas favoritas do disco. Ambas representam bem o que eu queria expressar com a minha música.
02. O pontapé inicial do seu trabalho veio com uma mp3. Qual é a sua relação com novas mÃdias tais como myspace, youtube e twitter? Dá para fazer uma boa divulgação só com elas?
A internet ajuda bastante e procuro aproveitar as facilidades que ela possibilita, sempre de forma coerente com o restante do trabalho. A utilização dessas novas mÃdias é essencial, sem dúvida, e contribui bastante com todo o trabalho que acontece paralelamente, fora do mundo virtual.
03. É comum no mundo da música ouvir a frase “para esse álbum tivemos tempo de…†como algo que influencia na qualidade do resultado final. Você gostaria de ter tido mais tempo para gravar o Let Yourself In ou a pressão de ter um prazo acabou ajudando no resultado?
Quando recebi o convite para assinar o contrato com a gravadora tive que fazer uma escolha. Aproveitar a oportunidade de gravar o disco era aceitar trabalhar com um prazo curto. Optei em abraçar a oportunidade, extrair o máximo possÃvel daquela experiência e me esforçar para gravar um bom disco. Acho que trabalhar sob a pressão do prazo de entrega foi bom para aquele momento. Aprendi bastante. Algumas coisas boas, inesperadas, podem surgir quando trabalho sob pressão, mas prefiro trabalhar com calma. Ter tempo para compor, para absorver, para testar, para mudar. Gosto de ter esse cuidado com a minha música.
04. Como é regravar um clássico dos Beatles e arriscar uma roupagem 100% nova? Não dá um frio na barriga fazer algo assim?
Na época da gravação não senti essa pressão. Eu estava tão envolvido com tudo o que estava acontecendo que fiquei “anestesiado”, apenas mantendo o foco em terminar o trabalho. Mas, sem dúvida, é uma responsabilidade enorme regravar uma música dos Beatles. Me deu frio na barriga agora, só de pensar.
05. Geralmente pergunto o papel do circuito underground de shows na divulgação de novas bandas. Com contrato em gravadora, música em trilha de novela e filme, qual a importância dos shows como seu cartão de visitas? Você parece ter uma relação bem próxima com os fãs.
Eu gosto muito de tocar ao vivo, de trocar energia com o público. Para mim, é a melhor recompensa por todo o trabalho que vem sendo feito. O show é um momento muito especial. Acredito que todas as pessoas, assim como eu, continuam sendo muito carentes de experiências que possam saciar seus sentidos. Ouvir, ver, tocar, cheirar… O show é o momento onde tudo isso acontece, onde as pessoas podem interagir fisicamente entre si e com a música, e ter uma noção concreta de quem é o artista.
06. Talvez seja cedo para perguntar, mas, já faz idéias de que caminhos musicais pretende explorar mais adiante? Manter-se firme no soft rock, explorar uma pegada mais pesada, trabalhar os flertes com jazz…
O primeiro CD foi uma grande bagunça na minha cabeça. A composição ainda era uma coisa muito nova pra mim e acabei passeando por todas essas influências por falta de experiência mesmo. O que não acho ruim. O disco tem uma inocência, uma honestidade daquele momento, que valorizo bastante. Me preocupo em estar constantemente aprendendo e evoluindo como músico e como artista, e ‘Let Yourself In’ foi um importante primeiro passo. Hoje já me sinto mais seguro. Minhas letras e minha musicalidade já estão começando a ter uma coerência maior com o que busco na música. O próximo disco será menos soft.
Let yourself in, de Tiago Iorc
Retomando as resenhas musicais, resolvi começar por um nome que tem marcado presença constante no meu twitter. Vira e mexe vejo um fã elogiando Tiago Iorc, com a movimentação mais recente motivada pelo lançamento do clipe de No one there no youtube. Curioso incorrigÃvel, é claro que fui conhecer o trabalho dele. Irmã mais nova também serve para isso. Pelo que senti, seu público principal é a galera mais jovem – mostrando que o cenário musical não anda estagnado como alardeiam de vez em quando – mas com potencial para audiências mais amplas.
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OPES – Série Djanira
Se eu fosse o Dr. Hannibal Lecter, pedaços do trombonista da Orquestra Petrobrás Sinfônica seriam servidos em um banquete, acompanhado de boas garrafas de Pétrus.
O programa foi um pouco estranho. Ravel, Bartók, Stravinsky, Ripper. Um contemporâneo, um impressionista, um moderno e um modernÃssimo. O que esperávamos ouvir? Música moderna, é claro! (more…)
Alicia de Larrocha
Alicia de Larrocha [img] é uma das últimas representantes da Arte pura, com A maiúsculo. Dona de uma gama de timbres impressionante, de uma dynamic range gigantesca e de uma personalidade artÃstica inebriante, Alicia é um dos Ãcones de nosso tempo. Seu discurso nunca tende ao hipersentimental, pelo contrário. Seu ataque é preciso e quase ’seco’. Mas não é seco, claro.
Intérprete celebrada dos românticos como Chopin, Liszt e Schumann, é também conhecida por suas interpretações dos barrocos e dos clássicos. Gravou todas as sonatas, rondós e fantasias de Mozart. E, claro, gravou tudo de música espanhola que se possa imaginar.
Mas esse artigo é sobre três gravações em especÃfico: as sonatas K.283, K.331(a da Alla Turca) e K.284 de Mozart.
A clareza do discurso e a noção orquestral são evidentes. Noção orquestral não no sentido polifônico do barroco – embora Mozart tenha, sim, sua polifonia simples – mas no melhor do perÃodo clássico. Como não pensar em colunas de mármore, simples, retas, brancas e estonteantemente belas? Como não pensar numa escultura grega, em que cada mÃnimo detalhe é carregado de significado?
O discurso de Mozart não é nada pobre. E é absolutamente errado dizer que Mozart, pelo perÃodo estético, é ‘preso’ à forma. Preso nada! Mozart se utiliza da forma como recurso expressivo, e exige algozmente do intérprete que cada repetição, com exatamente as mesmas notas, seja carregada de um significado diferente. Aà vocês pensam: “Fácil! Temos a agógica! Rubatos! Dinâmica”.
Nada disso. O tempo é estrito, as dinâmicas estão TODAS marcadas. E agora, o que sobrou?
Sobrou a intenção.
O Barenboim conta, das longÃnquas memórias de sua infância, que foi fazer um masterclass com o Horowitz. Ou então foi simplesmente tocar pro Horowitz na casa dele. Mas pouco importa a platéia, ninguém na platéia é o Horowitz mesmo. Ele não estava muito feliz, porque era um grande fã do Rubinstein, que além de seguir uma corrente interpretativa diferente, tinha lá suas rixa com o Horowitz. Depois de desfeito o gelo inicial e a conexão ter sido estabelecida, o Barenboim se lembrou de perguntar uma coisa, que sempre o tinha intrigado no toque do Horowitz: Como ele conseguia fazer aqueles crescendos? Como ele conseguia dar o efeito de crescendo, mesmo que fosse uma só nota? Como fazer o som de uma só nota crescer, num instrumento percussivo, onde fisicamente o som decai com a exponencial do tempo?
E o Horowitz respondeu: “Você tem que querer.”
E isso, em parte, justifica a primeira frase desse texto. Rubinstein diz que “você toca o que você é”, e isso é tão inexorável quanto as leis da natureza, não se pode escapar jamais. Para tocar piano, e além disso, para fazer música, de verdade, no sentido mais profundo e puro que isso pode ter, é preciso se desfazer de tudo, se despir de todas as máscaras e encarar a própria alma, nua, diante do espelho da música e da performance. É preciso, além disso, querer. É mais, muito mais, do que “essa passagem está marcada “piano”, então eu devo diminuir a intensidade sonora”. Não. Se a passagem está marcada “piano”, você deve querer diminuir a intensidade sonora.
A música é a única arte que se utiliza de um único meio fÃsico para atingir a platéia. Ela nem existe, materialmente. A música é a única arte que não existe! Se utiliza de um único sentido também. E o que separa, então, a Arte absoluta de ondas sonoras ordenadamente distrubuÃdas segundo propriedades fÃsicas bem conhecidas que provocam sensação agradável no ouvinte?
A vontade, acima de tudo. Como na sonata de Mozart, o que faz toda a diferença entre duas passagens que seriam idênticas, se analisadas do ponto de vista meramente maquinal, é a vontade.
O intérprete deve querer que elas soem diferentes.
No caso da Alicia, isso acontece. E como.
De todos os climas diferentes utilizados em cada uma das variações do primeiro movimento da K.331, de toda a veemência do discurso das oitavas da Marcha Turca, de toda a intrincada superposição de detalhes da K.284(que poderia ser orquestrada por um semileigo sem o mÃnimo esforço, de tão bem acabada), de tudo isso emana, mais forte do que quaisquer dificuldades fÃsicas, anatômicas(sua mão alcança pouco mais de uma oitava, o que não a impediu de tocar e gravar o Concerto Nº3 de Rachmaninov ou qualquer outra coisa que desejasse), mecânicas, musicais ou de qualquer natureza, a vontade, a vontade de fazer música e fazer viver a música.
Alicia é uma das grandes lendas do piano, que têm a capacidade de estabelecer um canal direto com o âmago do ouvinte nas primeiras notas, e através dele fazer correr o seu discurso. Raros artistas, como ela, conseguiram ser tão originais, no sentido de ter uma personalidade artÃstica inconfundÃvel, mas ainda absolutamente fiéis ao estilo, a estética e ás ‘restrições’ de cada perÃodo. Alicia, como Mozart, sabe usar as regras a seu favor.
recomendado: La Campanella, no youtube.
Smashing Pumpkins interativo
É uma pena que a velocidade de geração de conhecimento e propagação da informação seja infinitamente superior à viabilização das mudanças que deveriam causar. A sociedade tende a inércia, uma frase clichê, infelizmente. De que outra maneira explicar que dez anos depois do Napster abalar a estrutura da indústria fonográfica, ainda não há um mercado consolidado de mp3s no Brasil? Enquanto o iTunes se torna um grande império, impulsionando inclusive a venda de audiobooks, aqui no Brasil os sites de vendas de música online geralmente não funcionam com outro navegador que não seja o Internet Explorer. E digo música online porque alguns não vendem mp3, e sim wma em qualidade de 160kbps, metade do que seria comparável à qualidade do cd. A tentativa das gravadoras de estancar o sangramento inevitável ainda deve perdurar. Nesse meio tempo, desperdiça-se o potencial das rádios digitais como canais de venda, e quiosques de mp3 parecem elementos de ficção-cientÃfica. Isso sem falarmos em e-books, por exemplo. Uma movimentação grande lá fora, e por aqui nenhum interesse em entender o formato, o que dirá comercializá-lo.
Além de uma inevitável migração do mundo fÃsico para o virtual, e-books e mp3s sinalizam claramente que existe uma demanda não atendida pela indústria. O consumidor quer agora, quer escolher de dentro de casa, ouvir primeiro, levar música e livro no celular. O consumidor quer ver seus seriados no horário que decidir e não no horário estipulado pela operadora de TV a cabo. Uma palavra que talvez capture não o mecanismo mas a essência é interatividade.
Depois de estratégias diferenciadas de Beck, Radiohead e Prince, o nome da vez a arriscar é o Smashing Pumpkins. Ao invés de mirar no canal de venda, o grupo pretende atualizar o conceito de fã-clube e oferecer música e mÃdias para os fãs durante o processo de composição do novo álbum. A idéia é que os interessados paguem uma assinatura e durante doze semanas possam acompanhar as gravações e acessar fotos e entrevistas em vÃdeo, sabendo de antemão como será o novo som da banda.
Segundo Bill Coargan, o objetivo é criar um modelo de trabalho não lucrativo motivado por acesso e informação. A experiência de imersão virtual no estúdio servirá de inspiração para as músicas, influenciando diretamente no trabalho final.
O mais curioso é que o projeto só dará certo se os fãs tiverem interesse nos bastidores, por isso o grupo criará um mailing para analisar o potencial de procura. Se a demanda animar o vocalista, o preço cobrado será de $40 pelas doze semanas, com a promessa de pelo menos cinco atualizações por semana, de modo que o preço cubra por baixo 60 atualizações. O conceito de “tempo real†ainda não é certo, e o material deve entrar no ar até vinte e quatro horas depois de gravado, o que deve desagradar a alguns. A duração mÃnima de cada vÃdeo será de cinco minutos, o que levanta um aspecto relevante: interatividade não é sinônimo de espontaneidade. Se você vai cobrar pelo produto, é bom especificar tudo nos mÃnimos detalhes.
Apesar de não acompanhar de perto o trabalho do Smashing Pumpkins, espero que dê certo e siga a tendência de criação de conteúdo mais do que reality show. Acompanhar bastidores de gravação é uma ótima forma de minimizar a ansiedade entre um trabalho e outro, qualquer fã sabe disso, e se interatividade ainda é um conceito muito flexÃvel dependendo do pacote, a sede por novidade parece não ter fim.
Linda Bustani e Ligia Amadio
Linda Bustani e Ligia Amadio formam uma dupla perfeita.
No segundo concerto de comemoração de seu jubileu de ouro de carreira, Linda tocou, com a Orquestra Sinfônica Nacional (OSN) e a Ligia, o concerto em Sol, de Ravel, um concerto deveras estranho, pela sua formação Russa. Os russos, conhecidamente, não são muito fãs da música francesa. (more…)
Pietro de Maria
Quando eu conheci Pietro de Maria em 2006, tocando o terceiro de Prokofiev, no Theatro Municipal, ele me impressionou bastante. Naquela época, e ainda hoje, eu tinha o concerto bem nÃtido na minha cabeça, e foi engraçado, porque concordei com absolutamente tudo o que ele fez. (more…)
Misha Dacic
Misha Dacic é pianista, nascido na Sérvia em 1978. Foi aluno do excelente pianista Kemal Gekic na Universidade de Novi Sad em Belgrado. Ganhou destaque internacional depois de participar do Progetto Lugano em 2003. Tocou sábado passado (dia 9) no Theatro Municipal do Rio.
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Bossa Nova
Na entrada da Oca, para quem olha para baixo, há uma praia de Copacabana de pó de mármore, e o campo semântico da palavra mármore é uma justa justaposição. Trata-se de apor a um Ãcone espacial um algo mais de classe, de chique. A exposição é sobre Bossa Nova e a sinuosidade das pedrinhas portuguesas estão lá em uma outra justaposição, essa agora de contigüidade e não mais de valor: Copacabana fica ao lado de Ipanema, real berço da Bossa Nova, mas carente de sÃmbolo visual tão forte quanto. Vai então a calçada vizinha, somada ao mármore e, mais ou menos, chegamos ao destino, cujo aspecto principal é justamente esse, de ser um destino. Porque a Bossa Nova pode ser entendida como uma espécie de regionalismo – algo mais ligado a um espaço do que ao seu tempo. (more…)
Notas. Atos. Gestos.
O livro Notas. Atos. Gestos. traz compositores do eixo Rio – São Paulo falando de modo peculiar sobre o processo composicional. Peculiar porque aborda tanto o que há de DionisÃaco quanto o que há de ApolÃneo, o instinto e a razão, na criação musical, desmistificando a idéia do dom divino sem para tal precisar tocar no assunto. Sim, há o sopro das musas, mas também há o talento, a dedicação e zilhões de pequenas peças que se encaixam de maneira distinta até que se forme a música, essa engenhosa (curiosamente) matemática que interpretamos como arte.
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Columbia e Cof Damu
É uma transformação caótica, como todas devem ser. Morte decretada do formato atual de cd, mp3 ainda nos limites entre o download gratuito e o respeito ao trabalho do artista, Internet a todo vapor e rádios se mantendo firme como medida de sucesso. Sorte nossa (minha pelo menos) que no meio do caos haja espaço para o surgimento de novas bandas no cenário brasileiro. De show em show, aumentando aos poucos a base de fãs, estão grupos como Cof Damu e Columbia, cada um na sua área fazendo um som de primeira.
Ainda não conhece? Hora de calibrar seu mp3 player.
Evgeni Ugorski
“However difficult it may be, there isn’t a passage that doesn’t become easy if practised a hundred times. (…) Purely repetitive work of this kind may appear stupid, and I admit that it comes close to being so;“
Sviatoslav Richter em Mosaingeon, Bruno – “Sviatoslar Richter, Notebooks and Conversations”
Não falar de si mesmo, mas falar de algo, é dar a conhecer de si mesmo. Pela visão das coisas apresentadas pode-se conhecer a personalidade de cada um. Quanto mais esforço se faz para suprimir tudo o que há de si mesmo nessa leitura, mais se tem o efeito reverso. Quanto mais esforço se faz para remover tudo o que há de si mesmo de uma leitura, mais solidifica-se a sua essência, aquilo que ninguém pode tirar de si mesmo, aquilo que nos é tão natural que escapa até da nossa própria consciência.
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Entrevista exclusiva com Katia B
01. Sendo direto: Espacial é uma pequena obra de arte. Como foi o caminho da concepção da identidade musical do CD até o resultado final? Diria que o refinamento presente é uma evolução natural dos CDs anteriores?
Obrigada pelo elogio! Acho que a cada disco trabalho com a idéia de aprofundar a relação com as músicas e com o uso dos equipamentos como forma de manipular e criar texturas sonoras. Sempre começo pelas composições e depois penso bastante que cara quero dar ao disco, pra onde quero levar as músicas. Surgem então os produtores, figuras fundamentais pra dar forma ao que eu imagino. Penso que o refinamento pode ser a relação com a delicadeza, com a sutileza, por causa disso fica refinado.
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Peter Cincotti
Peter Cincotti aparece comumente em listas de nomes do jazz contemporâneo, mas seu estilo vem evoluindo de CD para CD e engloba cada vez mais ritmos musicais. O pianista foi o artista mais jovem a entrar na parada de jazz da Billboard e está aos poucos conquistando espaço no cenário internacional, aparecendo com força na Itália, França, Bélgica e SuÃça, paÃses mais abertos ao mix musical que Cincotti decidiu explorar. O músico de 23 anos acaba de lançar East of Angel Town pela Warner, garantindo uma ampla distribuição ao redor do globo. Por aqui, nenhuma divulgação, mas se considerarmos o panorama de lançamentos em território tupiniquim, já é sorte ver o CD nas prateleiras (procure antes no setor de cantores de jazz), mesmo que com preço salgado e superior ao de alguns tÃtulos importados.
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Maria João Pires
Não tenho palavras para descrever e analisar o concerto de ontem (27/03/08) no Municipal. Dito isto, mesmo sem as palavras que seriam justas, aqui vou eu.
Maria João Pires é portuguesa de nascimento e brasileira de coração. Dentre as inúmeras gravações para o selo Deutsche Grammophon, destaco a integral das sonatas de Mozart e a dos noturnos de Chopin. As sonatas de Mozart tenho no meu mp3 e levo pra tudo quanto é lugar (nunca se sabe quando uma delas pode começar a pipocar na sua cabeça, e vc precisa ouvir, então, pra manter a sua sanidade mental), os noturnos eu tenho só em casa, porque pra mim não funciona ouvi-los em qualquer clima, em qualquer lugar.
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Olga Kern
Olga Kern é uma mulher encantadora, simpática e fantástica pianista. Como qualquer um, não posso deixar de mencionar que venceu o concurso Van Cliburn em 2001.
O concerto Nº1 de Tchaikovsky talvez seja o concerto mais popular pra piano e orquestra, o concerto que qualquer leigo sabe um trechinho de cor. À parte disso, uma obra belÃssima, profunda. Dramática e de fácil acesso e entendimento, razões pelas quais é um dos concertos mais queridos também pelo público, digamos, ‘iniciado’.
A OSESP é uma das melhores orquestras (porque, como carioca, não estou em posição de dizer *A* melhor) do Brasil, com um dos maiores orçamentos, uma das melhores temporadas de concertos, ecomenta-se, os melhores salários.
John Neschling é um dos maiores regentes brasileiros, seu currÃculo e seu parentesco com Schöenberg falam por si só.
Meu ponto é: o concerto de ontem (23/03/2008) tinha TUDO pra ser, não apenas um dos melhores concertos em que já estive presente (e de fato foi), mas também um concerto perfeito. Daqueles que você sai de alma lavada, dez quilos mais leve.
E não foi.
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Entrevista exclusiva com Minor Majority
01. Um Grammy (Spellemannsprisen), turnê bem-sucedida, sucesso de público de crÃtica. Candy Store foi um jeito de fechar um ciclo e comemorar os bons ventos? Já dá pra imaginar o próximo passo?
Até agora lançamos cinco discos e temos vivido de música e com a música por oito anos. Candy Store foi um jeito agradável de dizer que precisamos de, senão umas férias, pelo menos um ano de ensaios para que possamos preparar um disco que seja de alguma forma diferente dos anteriores. Chega um certo momento em que é fácil ficar cansado do seu próprio som, e nesse ponto faz sentido fazer uma coletânea, porque força você a olhar para frente. Espero que possamos surpreender um pouco os nossos fãs da próxima vez. (more…)
Três meninas do Brasil
Espero rever, em 2008, numa temporada mais longa, o show Três Meninas do Brasil, o delicioso encontro entre as cantoras Jussara Silveira, Rita Ribeiro e Teresa Cristina, que no fim do ano passado rendeu apenas duas apresentações no Rio e outras duas em BrasÃlia. Numa época em que os encontros da MPB, são cada vez menos marcantes e mais comerciais (vendem CD e DVD, mas acrescentam pouco à percepção do público, à s carreiras dos artistas, ou à s canções do repertório), esse show merece destaque, pois recupera e agrupa canções que levam a repensar a tradicional relação entre música popular e identidade cultural no Brasil. Esse tema, que me parece longe de estar bem resolvido em muitas de nossas produções culturais mais recentes, merece ser refletido à luz do que as três meninas cantaram, sob direção musical de Jaime Alem e artÃstica de Jean Wyllys.
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Do pó ao pop
Se você consultar antigas paradas de sucesso notará que havia ciclos musicais bem-definidos, sempre com um gênero de maior destaque. Um exemplo que vem fácil à mente é o império da disco music, que dominou pistas, conseguiu chegar às rádios e ditou moda e comportamento. Numa evolução natural de influências, os anos 80 foram simbólicos para o pop e suas vertentes. Nomes como Human League, Pet Shop Boys, Depeche Mode, A-ha, Duran Duran, Cyndi Lauper, Alphaville, New Kids on the block e Madonna, entre outros, apareciam com freqüência na lista de mais executados. Nessa época surgiu o tecnopop na Europa, embalado por uma nova geração de sintetizadores, e o rockpop no Brasil, que perdura até hoje.
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Thriller
Há 25 anos Michael Jackson revolucionou o cenário musical com o lançamento de Thriller.
O álbum vendeu mais de cinqüenta milhões de cópias, ficou mais de trinta semanas no primeiro lugar da parada de vendas e um ano no top 10, um marco insuperável. Muitos acham que o sucesso solo de Michael começou aÃ. Na verdade, seu cd anterior, Off the wall, foi muito bem recebido pela critica e pelo público, deixando quatro singles de sucesso, como Don’t Stop to get enough e She’s out of my life. Michael mostrou nesse disco seu talento para fusões, acrescentando à música disco elementos do soul. (more…)
Joyce Yang
Eu não gosto de Brahms. Mas hoje, ao sair do concerto da Joyce Yang, passei a gostar, pelo menos das baladas. Uma amiga me disse esses dias que alguns compositores são muito sujeitos às mãos que os tocam. E concordo. Acho que Brahms é um deles. Talvez eu não tenha ouvido as obras certas, ou quem sabe os intérpretes certos.
A Joyce é uma simpatia: sul-coreana, tem 21 anos, acabou de tirar segundo lugar em um dos concursos mais prestigiados do mundo, o Van Cliburn.
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Diana Kacso e seu feito de última hora: os Doze Transcendentais sem pausa
Que Diana Kacso é capaz de feitos pianÃsticos incrÃveis todos nós já sabÃamos. Mas tocar os Doze Estudos de Execução Transcendental de Liszt sem levantar do banco, logo após um 1º round de Estudos Sinfônicos de Schumann, não é pra qualquer um. (more…)
Piano Solo
Acontece no Rio de Janeiro e em São Paulo o Piano Solo. Sob a direção artÃstica do pianista Eduardo Monteiro, o projeto – pode-se assim chamar – traz ao público carioca e paulistano quatro apresentações da mais alta classe – pode-se assim certamente chamar. A programação está distribuÃda de forma vairada, eclética de estilos e de compositores, o que sugere uma liberdade Ãntima dos intérpretes para com seus programas, o que coloca, sem dúvida, um valioso canal através do qual o artista expõe ao público figuras de sua estirpe: o momento de suas carreiras, seus trabalhos, os compositores ou estilos de maior dedicação, seus focos. Não é, portanto, um evento segmentado a este ou a aquele estilo ou compositor, como é muito comum nos grandes eventos e séries. Há os tÃtulos menos conhecidos e os consagrados pelo público.
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Formidável Mundo Cão, Jay Vaquer
Há mais ou menos um ano Jay Vaquer lançou o cd Você não me conhece e emplacou nas rádios e na MTV o hit Cotidiano de um casal feliz. O tempo voou e o cantor divulga agora seu quarto cd, Formidável Mundo Cão, que merece um lugar em todas as listas de melhores do ano. (more…)
Roseli Ribeiro Moutinho
A OSB Jovem é um projeto da fundação OSB composta por jovens de até 25 anos. É um dos mais importantes investimentos nos jovens talentos musicais. Domingo passado, dia 21, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro assisti o Concerto para Flauta e Orquestra em Sol Maior de Mozart K.313, com a orquestra OSB Jovem e a solista Roseli Ribeiro Moutinho.
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A. B. Surdo
O grande Lamartine Babo não perdia uma. Piadista de primeira, dá o clima de como eram recebidas as novidades estéticas popularizadas pelos modernistas. A histórica marcha A. B. Surdo, de 1930, demonstra o marco divisório entre duas concepções estéticas e permite que se veja que, longe da tranqüila aceitação dos modernistas, vicejou durante muito tempo a predileção pela palavra cheia, retórica, que dominava tanto a poesia romântica quanto a poesia parnasiana.
HIM – Venus Doom
HIM é um dos grupos de love metal mais famosos do mundo. Criado na Finlândia, existe desde 1991 e teve diversas encarnações, um amontoado de nomes e estilos. Depois de alguns anos gravando demos, EPs e fazendo covers de Depeche Mode, Type o’Negative e até Backstreet Boys, o HIM gravou seu primeiro álbum oficial.
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Um Painel da Música de Câmara de Camargo Guarnieri
Terminou na última terça-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro, o ciclo “Um Painel da Música de Câmara de Camargo Guarnieri”. O evento, em quatro apresentações, teve como principal iniciativa apresentar de forma abrangente, sem distribuir peças a esmo pelo programa, sem perder o sentido de cada forma musical trabalhada, explorada ou mesmo criada pelo grande mestre, parte da obra camerÃstica do compositor.
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A guitarra flamenca cosmopolita de José Manuel León
Sirimusa é uma montanha localizada no norte do Marrocos. Pode ser vista do outro extremo do Estreito de Gibraltar, o sul da Espanha. José Manuel León, guitarrista flamenco, inspirou-se nessa montanha para produzir seu álbum “Sirimusa”, que pode ser considerado o seu début.
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Morten Abel
Apesar de a Noruega ser mais conhecida pelos grupos de black metal, é impossÃvel negar a força do pop no paÃs. O cenário se renova constantemente, apresentando todo ano artistas que fogem dos padrões americanizados da música e seguem dispostos a conquistar seu lugar ao sol (pouco sol, é verdade).
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Camargo Guarnieri
Aconteceu na terça-feira passada (4/7) no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro o primeiro recital do ciclo Um painel da Música de Camargo Guarnieri. Num total de quatro recitais e oito sessões, o evento relembra aquilo que já foi uma tradição em nossa cidade: os pequenos recitais e operetas da hora do almoço. (more…)
Entrevista exclusiva com o Morten Abel
1. You’re a singer who moves easily between dance and rock, using something from folk. You feel at ease with funny lyrics and at the same time create poetry in the form of music. Is that the Morten Abel style?
Ive always had interest in many forms of music, jazz and classical, but since Im not an schooled musician I ended up doing what I do, and that gives me the freedom of have some fun, make noice and be a part of production and arrangements in the studio, wich I enjoy very much. One shall be careful to use humor in contemporary pop music. Ive done it (The Birmingham Ho), but some people get put off by it. (more…)
Roberta Sá e Rodrigo Maranhão no Canecão
Foi surpresa boa. Não pelo talento dos cantores, que isso eu já sabia. Mas pela fila enorme na porta (que me fez perder o inÃcio do show) e pela casa lotada. Muita gente jovem. Outro dia li alguém que se questionava por que os jovens cantores do Brasil não fazem músicas acéfalas para o público mais novo (como os artistas americanos), e querem sempre parecer novos eternos da MPB. (more…)
Paula Toller – sónós
Sónós de Paula Toller e sua festa de sonoridades é um álbum redondo. É cool e pop no que os termos possuem de concreto, fugindo do caricato. Ao longo das 14 músicas fica a sensação orgânica, de que tudo pode ser repetido ao vivo, de que estamos participando do registro de um show, onde os músicos tocam entrosados na troca de olhares. O cd está além do mero empilhamento de instrumentos e programações digitais, o que faz, paradoxalmente, que o cool seja um lugar aquecido e aconchegante.
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Erasure
O Erasure é uma das instituições do tecnopop, ritmo consagrado nos anos 90 (que nasceu em meados de 80). Em sua história, Vince Clark e Andy Bell acumularam um punhado de hits como: Blue Savannah, A little respect, Star, Oh L’amour, I love to hate you, Always, Freedom.
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Garbage
Depeche Mode, U2 e Michael Jackson já beberam na fonte. Agora é a vez do Garbage aderir ao formato 18-hits e lançar sua primeira coletânea – Absolutely Garbage. O grupo liderado por Shirley Manson surgiu com força total em 1995, com um rock ligeiramente puxado pro punk e com influências de trip-hop. Only happy when it rains foi sucesso imediato, inclusive no Brasil, a começar pelo tÃtulo engraçadinho. A ruiva dissimulada de sombra negra transitava bem pelo visual pop e o glam, cantando muito. Foi fácil conquistar o público em uma época em que o punk rock havia varrido o pop das rádios. Composto por produtores musicais, o Garbage tinha qualidade, fugindo do som clichê dos anos 90 com criatividade. Stupid Girl, que explorava o cenário alternativo, foi mais um hit de fãs do que rádio, mas ajudou a compor a identidade musical do grupo. “You pretend youre high / You pretend youre bored / You pretend youre anything / Just to be adored”, dizia a letra. Nos extremos dos estilos vieram Queer, de essência mais pesada, e Milk, o lado eletrônico viajante, ambas bem recebidas.
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Pink – I’m Not Dead
Talvez você ainda não tenha ouvido falar dela. Apesar de ter surgido na onda de Britney Spears e Christina Aguilera, a cantora conseguiu mudar os rumos da carreira e impor um estilo próprio que não gerou imitações. De Can’t take me home em 2000 até I’m not dead em 2006 muitas coisas mudaram. A venda expressiva de Can’t take me home ajudou Pink a escapar do R&B imposto para a mistura soul pop rock funkeada que marca o seu trabalho. O estilo do primeiro cd, tido por muitos como uma jogada de marketing, pode ser explicado pela participação de Babyface, um dos maiores produtores de R&B dos Estados Unidos, que traz no currÃculo parceiras com Madonna, entre outros. Mesmo com bons resultados, Pink acertou ao mudar e fugir das fórmulas. Sua parceria com Linda Perry, ex-vocalista do 4 Non Blondes (lembra da música chiclete What’s going on?) deu um caráter mais global à s suas músicas e rendeu boas vendas no mundo inteiro.
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Constanza Almeida Prado e Sarah Higino na Fundação Eva Klabin
Apresentaram-se na Fundação Eva Klabin, sob o selo da série “5as com música”, na última quinta-feira (19/4), Constanza Almeida Prado, violino, e Sarah Higino, piano. No repertório compositores brasileiros, com destaque para Almeida Prado e Guarnieri.
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5º Festival Viola de Todos os Cantos
Comemorando cinco anos e já se tornando tradição no interior do Brasil, é um evento esperado por quem conhece e gosta da música de viola, no último dia 16 de abril foram abertas as inscrições para o a quinta edição do Festival Viola de Todos os Cantos. Até 18 de maio podem ser feitas as inscrições e, em 1º de junho, serão anunciadas as 60 músicas classificadas.
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Diana Kacso & Gabriel Panny
Anteontem, 03 de abril de 2007, certamente entrará para a história musical da cidade de São Paulo. Radicada há décadas nos Estados Unidos, a pianista Diana Kacso fez um retorno triunfal aos palcos brasileiros. A grande surpresa foi o fato de estar dividindo a noite do recital, na Faculdade de Artes Santa Marcelina, com seu filho Gabriel Panny, jovem violoncelista de 14 anos.
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Entrevista com Sunrise Avenue
Aguarrás: O Sunrise Avenue é considerado um grupo que vai do hard rock às músicas acústicas. A versatilidade é um objetivo ou uma busca por seu próprio estilo?
Sunrise Avenue: Bem, claro que todas as bandas devem manter os olhos abertos para coisas novas e tal, mas eu acho que a principal razão de ir do leve ao pesado é que gostamos de tocar nossas músicas de diferentes modos. Mas o “conceito” é um concerto tradicional de rock ao vivo, tocado bem alto no palco.
Sunrise Avenue
Eles acabam de conquistar disco de ouro na Suécia, e se a EMI Brasil estiver atenta à s atividades de seus braços internacionais trará em breve para o Brasil o Sunrise Avenue, trilha sonora de nÃvel, compatÃvel com o rock adolescente que faz sucesso nos episódios de Malhação e nas rádios daqui.
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Duo Peranzzetta e Senise na Eva Klabin
Reabrindo a temporada do já tradicional 5as com Música, a Fundação Eva Klabin trouxe ao palco de seu aconchegante e diferente auditório em forma de capela o Duo Gilson Peranzzetta e Mauro Senise. Itinerário imperdÃvel aos interessados em música de arte no circuito cultural carioca, o 5as com Música é tiro certo para aqueles à procura de lugares e momentos que realmente valham a pena no ritmo prestÃssimo dos dias de semana em grandes cidades, como o Rio de Janeiro.
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É cedo para aposentar o CD
Geralmente pensamos em novas tecnologias de forma excludente. Todo ano surgem câmeras digitais que tornam os modelos anteriores obsoletos, celulares estão continuamente inovando e computadores envelhecem num piscar de olhos. Entretanto, quando falamos de música e do mercado fonográfico, o parâmetro da exclusão é insuficiente e simplista para analisar as diversas camadas em jogo. Afinal, é possÃvel chegar a uma coexistência pacÃfica, lucrativa para todos os lados.
Paolo Nutini – These Streets
Não se deixe enganar pela pouca idade de Paolo Nutini. Com 19 anos, o cantor é considerado um dos grandes talentos da nova geração, ganhou elogios da Uncut Magazine, vendeu 640.000 cópias na Inglaterra, conquistou disco de ouro na França e mundialmente já passa de 1 milhão de cópias. Isso tudo com o seu primeiro cd, These Streets. (more…)
Lica Cecato no Armazém Digital
Na noite de quinta-feira (25/01) apresentou-se na Livraria Armazém Digital do Leblon, no Rio Design Center, a cantora Lica Cecato. Radicada na Europa há mais de vinte anos, a cantora exibe ao longo de sua carreira um repertório delicioso, num caminho de influências já fortemente explorado, a MPB de forte cunho jazzÃstico, receita que tem sucesso garantido em praças européias não é de hoje. Tal é a consolidação desse estilo que já poderÃamos evitar o “jazzÃstico” e adotar a sigla, MPB, que, não obstante, ainda sucita fortes e pertinentes debates conceituais, sobretudo por sua enorme abragência de significado. Então, que se inclua mais um. (more…)
Ney Matogrosso
Ney Matogrosso é uma espécie de Fauno da música brasileira. Vê-lo ao vivo é teleportar-se para um reino dito mitológico, mas que está ali adiante, em cima do palco dominado por suas danças, corpo teatral e voz. Canto em qualquer canto contribui em muito para que a fronteira do lá e do cá fique mais fluida. Lembra um tempo em que era possÃvel abstrair o cotidiano de problemas infindáveis nos momentos de diversão, fosse ouvindo um cd no egoÃsmo do earphone ou tomando um chope com os amigos em uma casa de show. (more…)
Jair de Oliveira
Quando Jair de Oliveira lançou o álbum Simples, a palavra de ordem foi menos é mais. Fiquei desconfiado com o joguete verbal de imprensa inspirada, pois a musicalidade de Jairzinho se faz exatamente no experimentalismo, na vontade de extrair algo além e no jeito de colocar a voz a serviço dos instrumentos, integrando tudo na mesma batucada. É uma concepção Nietzschiana. A música, como o humano e o personagem da tragédia, existe em um ponto entre Apolo e DionÃsio, e Jair opta pelo dionisÃaco. (more…)
Paulinho Moska
Das composições de Paulinho Moska sempre senti uma claustrofobia, aquele processo de criação que não extravasa virando borboleta, ao invés, se mantém amarrado mesmo pós-metamorfose não querendo abandonar a poesia do casulo. Nesse apetrecho de seda autoral, sufocante e deliberativo como deve ser, nasceu o trabalho Tudo Novo de Novo. Moska, que já está no sétimo cd, apresenta um repertório no limiar do precipÃcio. É interessante, pois o sÃmbolo metafórico do suicÃdio e do mais nada a fazer aqui se assume como uma bela vista panorâmica alimentada por sensibilidades diversas. Tudo Novo de Novo é um cd calmo e de letras simples, com melodias que não tentam reinventar a roda e são eficientes dentro do caminho escolhido. Diferente dos jogos fonéticos de trabalhos anteriores, a carga emocional agora tem a voz como força principal e transforma o restante em acompanhamento. Quem é fã do cantor verá que é uma obra coerente com suas propostas artÃsticas, sendo ou não uma retomada do otimismo como diz o release. É uma pena que não seja tarefa fácil encontrar todos os álbuns de Paulinho Moska por aà e que a coletânea dupla da coleção BIS tenha canibalizado parte do seu repertório. (more…)
Camargo
O ano de 2006 foi marcado, sem dúvida, no cenário musical erudito, e não apenas, pelas festividades dos duzentos e cinqüenta anos do nascimento de Mozart. Somos dados, de certa forma, a privilegiar certos números quando escolhemos o momento de comemorar com mais apego a idade de alguém ou de algo. Não cabe aqui tentar averiguar as questões “histórico-numerológicas” que nos impedem, com efeito, de comemorar um aniversário de número não múltiplo de cinco ou dez com mais ênfase do que estes terminados por cinco ou zero. É o êxito do sistema de base dez, decimal, e nesse terreno a antropologia, de um modo geral, nos fornece grandes respostas. Temos dez dedos, aprendemos — digo a humanidade — a contar assim. A fascinante história da matemática é assunto vastÃssimo e fundamental, inclusive, e principalmente — a meu ver –, em espaços dedicados à história da arte. A emergência da Ciência Moderna ocorre na efervescente Europa Renascentista, e essas atividades, juntamente com outras, não podem ser facilmente desvinculadas. Mesmo que fora de uma perspectiva histórica, não podemos negar que a Ciência possui um forte teor estético, bem como a arte, muitas vezes, goza de conceitos cientÃficos. (more…)
Nelly Furtado e Loose
Desde o primeiro cd, Nelly Furtado decidiu explorar o caráter mais global de sua música. Com Whoa, Nelly! conquistou um Grammy e respeito internacional, mas quase caiu na armadilha da crÃtica americana, que tentou marcá-la com um único single e estilo. Felizmente, Nelly Furtado soube passar por cima, explorando músicas como Legend, e incorporando novas influências ao seu estilo hip-pop. Apesar do segundo cd não ter vendido tão bem, Folklore foi um trabalho diferenciado e positivo, trazendo um dueto com Caetano Veloso – Island of Wonder, e a belÃssima balada Try. Aqui, chama atenção o lado mais soul, flertes com a bossa nova e novamente com a música portuguesa. (more…)
Eruditos
“Sempre haverá um reduto para os esnobes se expressarem”, diz Caetano Veloso, ao versar sobre sua repetida tese de que, aos olhos da cultura dos anos sessenta, roqueiro ser arrogante é paradoxo. Caetano argumenta que o Rock, assim como surgiu nos grandes centros culturais brasileiros na década de sessenta, era “lixo cultural”. Entenda-se, não que Caetano necessariamente assim considerasse o som das pedras rolantes, mas que sobre este, sem dúvida, não pairava a mais fina camada de legitimidade social geral na época. (more…)
Maria Bethânia
“Eu sou o solitário e nunca minto
Rasguei toda a vaidade tira a tira
E caminho sem medo e sem mentira
À luz crepuscular do meu instinto”
– Sophia Breyner em Catilina.
As cortinas vermelhas se abrem e a mini-orquestra anuncia Maria Bethânia. A cantora surge como um orixá entre os mortais, revestida de força juvenil. Iansã personificada, Bethânia é humilde perante a música e expressa uma alegria incontestável. Basta estar, mesmo calada, para contagiar o público ainda se ajeitando nas cadeiras do VivoRio.
Thomas Dybdahl
O norueguês Thomas Dybdahl aos poucos encontrou o seu caminho. Depois de uma rápida passagem pelo grupo Quadraphonic como guitarrista, lançou o cd That great october sound, arrancando elogios dos crÃticos e conseguindo boas vendas. O single From grace (excelente) dava sinais do futuro experimentalismo do cantor, misturando ao folk melancólico outras sonoridades. Stray dogs, o trabalho seguinte, repetiu a fórmula sem novidades, mas valeu um contrato nos Estados Unidos. Seu primeiro álbum por lá se chamou One day you’ll dance for me, New York City, um tÃtulo irônico já que as músicas eram lentas ao extremo.


































